
O secretário Osvaldo Nico Gonçalves afirmou, durante coletiva de imprensa realizada nesta sexta-feira (16), que a prisão da delegada Layla Ayub demonstra uma resposta rápida contra o crime organizado. Segundo o promotor do GAECO, Carlos Gaya, a investigação do Ministério Público de São Paulo apontou que Layla agia como advogada para a facção, não apenas para faccionados individualmente.
“Atuação muito próxima de lideranças do PCC seria um indicativo de que ela atuaria em benefício da facção e não de indivíduos; essa é uma hipótese da investigação. O número de visitas que ela fazia a presos, mesmo sem procuração, era múltiplo”, ainda segundo o promotor, a aprovação no concurso “demonstra um grau maior de audácia, de ousadia da organização criminosa”, afirmou.

A delegada recém-formada Layla Lima Ayub foi presa nesta manhã por suposto envolvimento com o crime organizado. Mesmo após tomar posse como delegada de Polícia Civil, em 19 de dezembro de 2025, Layla atuava como advogada em audiências de custódia para membros do Primeiro Comando da Capital em Marabá, no Pará.
A delegada também mantinha um relacionamento amoroso com um membro “notório” da facção, Jardel Neto Pereira da Cruz, conhecido como Dedel, apontado como um dos líderes do tráfico de drogas e armas do PCC no estado de Roraima. Nas redes sociais, o criminoso se apresenta como músico “MC Dedel”.
O casal negociava a aquisição de uma padaria na Zona Leste da capital paulista, supostamente para lavagem de dinheiro.
Sem histórico de erros
Para o secretário de Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, a prisão da delegada com menos de um mês de posse foi dura: “Nós cortamos da própria carne”. Questionado pelo Portal iG, o secretário negou que a investigação social tenha falhado:
“Não falhou, ela não tinha nenhum apontamento até então. A investigação foi muito bem-sucedida; tanto o Ministério Público quanto a Polícia Civil trabalharam e cortaram na carne. Cortaram mais um aluno, a gente está precisando de delegado, eu queria contar com isso”, declarou Osvaldo Nico.

Layla Ayub foi policial militar no estado do Espírito Santo antes de ingressar na Academia de Polícia Civil de São Paulo. Entre um cargo e outro, ela teria passado uma temporada na região Norte do país, onde estabeleceu contato com a facção.
“Não houve interlocução com a Polícia Militar do Espírito Santo; ela trabalhou lá muito tempo, mas depois ficou afastada e foi para o Pará. Com o GAECO, com a Polícia Civil e com a Secretaria de Administração Penitenciária do Pará, nós tivemos uma interlocução que nos permitiu ter esse grau de certeza de que era uma ação que precisava da nossa intervenção”, relatou o promotor Carlos Gaya em entrevista ao Portal iG após a coletiva.
Layla Ayub está em prisão temporária por 30 dias, prorrogável por mais 30 dias. Ela e seu companheiro, Jardel Pereira da Cruz, serão encaminhados ao presídio de Tremembé ainda hoje, acusados de organização criminosa e lavagem de capitais.
