Ministros devem desfalcar governo para reforçar campanha de 2026

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad Valter Campanato/Agência Brasil

No mesmo dia, dois dos principais ministros do governo Lula (PT) anunciaram a intenção de pedir o boné.

Fernando Haddad (PT) deve deixar o Ministério da Fazenda para trabalhar na campanha de 2026. Ou como coordenador da candidatura de Lula à reeleição ou indo ao sacrifício na disputa pelo governo de São Paulo ou o Senado.

Todas as disputas são duríssimas, e deixariam com o presidente a delicada missão de escolher um titular tampão da economia para fazer a ponte com os setores mais hostis ao governo.

As conversas com o chefe já começaram, disse ele em entrevista ao UOL. Ou seja: a saída é questão de dias.

Haddad segurou a bomba nos dentes por três anos, e já dá sinais de cansaço. Se houvesse um ranking das profissões mais estressantes do mundo, a de ministro da Fazenda certamente estaria bem pontuada, com o agravante, de uns anos pra cá, das intensas campanhas da oposição que obrigam seus titulares a irem a público de tempos em tempos enfrentar as feras no Congresso e desmentir as fake news espalhas pelos Nikolas Ferreiras da vida. Haddad nesses três anos passou mais tempo desmentindo boatos sobre taxações inexistentes do que sentado na cadeira.

Ainda assim, é o homem de confiança de Lula, que chega à campanha com índices de crescimento razoáveis e inflação controlada, metade do caminho para qualquer postulante à reeleição.

Quem também está de saída é Camilo Santana. O titular da Educação anunciou o desejo de se dedicar à campanha do Ceará, seu reduto, que promete ser dureza em um contexto em que a reunião de forças entre Lula e a família Gomes na região se espatifou. Inclusive na família Gomes.

Ciro Gomes, o irmão revoltado, se filiou ao PSDB e ameaça amarrar o bolsonarismo em sua campanha. Oficialmente o clã tem outro candidato, Eduardo Girão, do Novo.

Elmano de Freitas (PT) tem chances reais de não se reeleger.

Camilo, seu padrinho político, promete voltar ao estado-natal levando a cavalaria e mantendo o Ceará como uma trincheira que, na última disputa presidencial, garantiu 4 milhões de eleitores a Lula (70% dos votos locais).

Há quem diga que o candidato pode ser o próprio Camilo, caso Elmano não demonstre forças para segurar a bucha.

Em seu mandato como ministro, ele deixou para Lula algumas vitrines, como o Pé de Meia, o MEC Enem e o MEC Livros, que facilitou o acesso de estudantes a obras e simulados do exame por meio digital.

A saída do titular não deixa de ser um desfalque para o governo em ano de eleição, quando o setor precisará ser resguardado dos ataques coordenados de opositores. Tudo fica ainda pior quando se leva em conta que o titular da Secretaria de Comunicação, Sidônio Palmeira, também pode desfalcar o time do governo para reforçar o time da reeleição.

A migração deixa entrever que a prioridade em um ano-chave é a campanha, e que a máquina pode operar sem seus principais nomes até lá. 

*Este texto não reflete necessariamente a opinião do Portal iG

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