Escândalo no Banco Master: Entenda tudo sobre o caso

Banco Master Divulgação

O colapso do Banco Master, liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em novembro de 2025, abriu uma série de investigações da Polícia Federal e intensificou embates entre o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Supremo Tribunal Federal (STF). Cerca de 800 mil clientes aguardam o reembolso de investimentos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Segundo o fundo, o valor total a ser pago em garantias será de R$ 40,6 bilhões.

História do Banco Master

O Banco Master, como é conhecido hoje, foi uma instituição financeira brasileira com sede na região da Avenida Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo. Recebeu aprovação do Banco Central do Brasil para atuar como instituição financeira a partir de 1990, dando origem ao Banco Máxima. Antes disso, em 1974, foi fundada a Máxima Corretora de Títulos e Valores Mobiliários.

Cerca de dez anos depois, em 2000, a empresa iniciou as operações de crédito, expandindo suas carteiras principalmente com produtos de crédito imobiliário.

Em 2016, a empresa começou a enfrentar problemas e esteve perto de decretar falência, após uma crise de inadimplência em sua carteira de crédito imobiliário. Dois anos depois, em 2018, o banco passou por uma mudança societária e operacional, sendo então renomeado para Banco Master.

Nessa reformulação, os três sócios do Master eram:

Daniel Bueno Vorcaro, atual presidente do banco;

Maurício Quadrado, banqueiro e executivo financeiro brasileiro, que era sócio do banco;

Augusto Ferreira Lima, empresário e também sócio do banco.

Juntos, detinham 25,89% da instituição.

Com a mudança, os sócios reformularam e criaram uma nova estratégia. O primeiro passo foi a diversificação da carteira, com redução de contratos de financiamento de imóveis e adição de outras fontes de receitas, como crédito consignado e pessoal, serviços financeiros, seguros e banco de investimentos.

Investimentos

Em 22 de fevereiro de 2024, o Banco Master anunciou a compra da participação majoritária do Will Bank, um banco digital com mais de 6 milhões de clientes, principalmente no Nordeste do Brasil. O acordo permitiu ao Master expandir sua carteira de clientes para mais de 10,5 milhões de pessoas físicas em todo o país.

Suspeitas

A liquidação do Banco Master aconteceu após suspeitas de fraude na venda de crédito do banco para o Banco de Brasília (BRB) no valor de R$ 12,2 bilhões, além de emissão de títulos de créditos falsos, venda de carteiras de créditos fictícias,possível envolvimento de influenciadores digitais em campanhas para desacreditar o Banco Central e defender o Banco Master. A revelação foi feita pela Polícia Federal durante a primeira fase da “Operação Compliance Zero”, realizada em novembro de 2025.

Investigações

Primeira fase

A primeira fase da Compliance Zero teve como objetivo o esquema de fraudes financeiras. Os policias investigam a venda de títulos de crédito falsos pelo Banco Master  que emitia Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com a promessa de pagar ao cliente até 40% acima da taxa básica do mercado. 

O Raio-X da fraude no Banco Master. Operação Compliance Zero revela esquema de R$ 40,6 bilhões com títulos falsos e envolvimento de sóciosInfográfico IA

Na primeira fase da operação, a PF cumpriu um total de cinco mandados de prisão preventiva, dois mandados de prisão temporária e 25 mandados de busca e apreensão, além de medidas cautelares em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e no Distrito Federal. 

Daniel Vorcaro ficou preso por 12 dias, na primeira fase da operação, por suspeita de tentativa de fuga do país. Ele foi pego pela Polícia Federal Aeroporto Internacional de Guarulhos, com destino a Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Vorcaro foi solto após ter a prisão preventiva revogada pelo Tribunal Regional Federal (TRF), mas está com tornozeleira eletrônica.

Na época, foram presos preventivamente:

  • Daniel Bueno Vorcaro, presidente do Banco Master;
  • Augusto Ferreira Lima, ex-CEO e sócio;
  • Luiz Antônio Bull, diretor de Riscos, Compliance, RH, Operações e Tecnologia do banco;
  • Alberto Felix de Oliveira Neto, superintendente executivo de Tesouraria;
  • Ângelo Antônio Ribeiro da Silva, sócio.

Já os presos temporariamente, por três dias, foram:

  • André Felipe de Oliveira Seixas Maia, diretor de empresa envolvida no esquema;
  • Henrique Souza Silva Peretto, sócio de empresa envolvida também no esquema.

Além das prisões, o juiz Ricardo Leite, da 10ª Vara Federal de Brasília, determinou o afastamento dos cargos, por 60 dias, de:

  • Paulo Henrique Costa, presidente do Banco de Brasília (BRB);
  • Dario Oswaldo Garcia, diretor financeiro do BRB.

Segunda  fase

A segunda  fase da Operação Compliance Zero aconteceu em 14 de janeiro de 2026 e teve o objetivo de apurar a prática dos crimes de organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, manipulação de mercado e lavagem de capitais.

Dinheiro apreendido pela PFDivulgação/PF

Foram cumpridos 42 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal, além de medidas de sequestro e bloqueio de bens e valores que superam R$ 5,7 bilhões.

A decisão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a busca e apreensão em endereços do banqueiro Vorcaro e familiares dele. Entres os alvos da lista estavam: Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro (preso temporariamente enquanto embarcava para Dubai); Felipe Cançado Vorcaro, primo de Vorcaro e sócio do banco, e Nelson Tanure, empresário e investidor.

Operação Compliance ZeroPolícia Federal

Quem são os principais suspeitos na mira da PF

Daniel Bueno Vorcaro

Formado em Economia e MBA em Finanças. Empresário e banqueiro. Entrou no setor bancário em 2018 ao comprar o Banco Máxima.  Em 2021, realizou aportes bilionários. Em 2025, foi preso por suspeita de fraude bilionária.

Daniel VorcaroRedes sociais

Fabiano Zettel

Cunhado de Daniel Vorcaro, casado com Natália Vorcaro, irmã do banqueiro. Pastor e empresário com uma participação em uma rede de açaí e academia de luxo. Fundador e CEO de uma empresa de investimentos.

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Nelson Tanure

Formado em Administração pela Universidade Federal  da Bahia (UFBA), empresário, Tanure é conhecido pela estratégia de comprar ações de empresas com dificuldades financeiras ou envolvidas em disputas societárias. Possui participações em diferentes setores como petroleira, construtora e grupo varejita no setor de supermercado. Foi denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF) por uso de informação privilegiada.

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João Carlos Mansur

Formado em Ciências Contábeis , Mansur atuou nas áreas de auditoria e controladoria. Participou de mais de 200 fundos de investimentos.  Fundou a Reaf Investimentos.

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Maurício Quadrado

Banqueiro e executivo financeiro. Quadrado atuou em processos de privatização, fusões e aquisições de fundos. Ex-sócio do Banco Master, assumiu  funções estratégicas, especialmente nas áreas de crédito consignado, até deixar a sociedade em 2024.

Maurício QuadradoRedes sociais

Como fica a partir de agora?

No dia 17 de janeiro de 2026,  o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) anunciou o início do processo de pagamento aos investidores que possuíam Certificado de Depósito Bancário (CDBs) do Banco Master. O anúncio aconteceu dois meses depois do decreto da liquidação extrajudicial do grupo que compõem: Banco Master S.A, Banco Master de Investimentos S.A e Banco Letsbank S.A.

O FGC apontou que aproximadamente 800 mil investidores são credores, e o montante total a ser pago chega a cerca de R$ 40,6 bilhões.

Cerca de 570 mil das 800 mil pessoas que tinham dinheiro em contas ou investido em produtos como CDB, LCI ou LCA do Master já pediram a devolução dos valores a que têm direito. No entanto, apenas 377 mil finalizaram todo o processo de solicitação,  informou o FGC.

O limite da cobertura do FGC é de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ. O valor inclui o montante investido e os rendimentos acumulados até a data da liquidação. O ressarcimento abrange contas-correntes, poupanças e outros investimentos como CDB, RDB, LCI, LCA, LCD e demais produtos financeiros.

Os investidores já podem acessar por meio do aplicativo do FGC. Pessoas físicas devem solicitar o ressarcimento através do aplicativo. Empresas, por sua vez, devem fazer os pedidos pelo site do Fundo Garantidor de Crédito para dar prosseguimento às etapas necessárias.

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