Parlamento Europeu trava acordo com EUA após ameaça de Trump

União Europeia congela acordo comercial com os EUADivulgação/Casa Branca

O Parlamento Europeu congelou, nesta terça-feira (20), a aprovação de um importante acordo comercial com os Estados Unidos, em resposta direta às ameaças do presidente estadunidense Donald Trump de impor tarifas a países do bloco que rejeitem suas exigências envolvendo a Groenlândia. As informações são do Le Monde.

A decisão, anunciada pelos principais grupos políticos, atrasa a votação prevista para as próximas semanas que eliminaria tarifas sobre bens industriais dos EUA. O acordo comercial havia sido fechado em julho do ano passado após meses de tensão, que incluiu a imposição de tarifas de 15% sobre produtos europeus por Washington.

Segundo lideranças europeias, a suspensão não representa o abandono definitivo do tratado, mas funciona como um instrumento de pressão política. “É uma alavanca extremamente poderosa – não acho que as empresas concordariam em abrir mão do mercado europeu”, afirmou a presidente do grupo centrista Renovar, Valérie Hayer, a jornalistas.

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Bloco avalia retaliação bilionária

A medida ocorre após Trump ameaçar aplicar tarifas contra seis países da União Europeia, entre eles França e Alemanha, caso não aceitem as condições impostas pelos Estados Unidos em relação à Groenlândia, território autônomo da Dinamarca.

Diante da escalada, líderes europeus se reunirão em uma cúpula de emergência em Bruxelas, nesta quinta-feira (22), para discutir uma resposta coordenada. Entre as opções em análise está a retomada de um pacote de tarifas retaliatórias de até 93 bilhões de euros (cerca de R$ 586 bilhões na cotação atual) sobre produtos estadunidenses.

Esse pacote havia sido aprovado no auge da disputa comercial no ano passado, mas teve sua aplicação suspensa até 06 de fevereiro para evitar um agravamento do conflito. Com o congelamento do acordo comercial, a UE reabre formalmente a possibilidade, além de discutir eventuais restrições ao acesso de empresas dos EUA ao mercado europeu.

Ameaças ligadas à Groenlândia

A crise atual tem origem nas declarações de Trump sobre a possível anexação da Groenlândia pelos Estados Unidos. Nas últimas semanas, o presidente passou a associar o tema a medidas comerciais, anunciando que pretende impor tarifas de 10% sobre produtos de oito países europeus a partir de 01 de fevereiro de 2026, com aumento para 25% em 01 de junho, caso haja oposição ao plano estadunidense de adquirir a ilha.

As ameaças atingem diretamente países da União Europeia, como Dinamarca, França e Alemanha, além do Reino Unido e da Noruega.

Washington vê a Groenlândia como estratégica no Ártico, tanto pela localização em rotas marítimas cada vez mais relevantes quanto pelo potencial em matérias-primas críticas e por seu papel em projetos de defesa dos Estados Unidos.

A tensão também avançou para o campo geopolítico, após as declarações de Trump. Países europeus anunciaram o reforço da segurança na Groenlândia, com o envio de forças militares à região a pedido do governo dinamarquês.

Em resposta, Dinamarca, Alemanha, França, Reino Unido, Noruega, Suécia, Finlândia e Holanda divulgaram um comunicado conjunto reafirmando o compromisso com a defesa do território e com a segurança do Ártico no âmbito da Otan. O governo da Groenlândia agradeceu publicamente o apoio.

Autoridades europeias têm reiterado que a soberania da Groenlândia não está em negociação e alertado que a escalada tarifária pode gerar prejuízos econômicos e estratégicos para ambos os lados do Atlântico.

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