
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), cancelou a visita que faria nesta quinta-feira (22) ao ex-presidente Jair Bolsonaro, preso em Brasília, no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, a Papudinha, um anexo do Complexo Penitenciário da Papuda.
A permissão para a visita foi concedida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, relator da ação que resultou na condenação do ex-presidente.
Além de Tarcísio, o magistrado permitiu que Bolsonaro recebesse o cunhado Diego Torres Dourado, e o vice-presidente do PL em Rondônia, Bruno Scheid.
Horas depois, o Palácio dos Bandeirantes informou que Tarcísio cancelou a visita em razão de compromissos em São Paulo. Informou também que o governador irá solicitar uma nova data.
Relação conturbada
Apesar da justificativa da assessoria, aliados do governador afirmam, sob anonimato, que a tentativa do governador de São Paulo de retomar o diálogo com Jair Bolsonaro na penitenciária ruiu por causa dos filhos do ex-presidente.
A avaliação é de que o governador tem sido alvo frequente de críticas vindas do clã Bolsonaro, o que afetou o ânimo para o encontro.
Na semana passada, por exemplo, militantes digitais ligados ao bolsonarismo atacaram o governador nas redes sociais após ele curtir a um comentário da esposa, Cristiane Freitas, no qual ela pede por um “novo CEO” para o Brasil.
O comentário foi feito em uma postagem crítica ao PT no perfil do chefe do Executivo.
Antes disso, Tarcísio já havia sido alvo de críticas relacionadas ao “tarifaço” e de ataques públicos de Eduardo Bolsonaro e Carlos Bolsonaro.
Fontes alegam que o governador, que aparece nas pesquisas como o nome mais viável para disputar as eleições com Luiz Inácio Lula da Silva (PT), tem evitado cravar cenários sobre a disputa eleitoral.
O encontro com Bolsonaro, cancelado, serviria, segundo aliados, para um “enquadramento” do governador, com cobranças para que declarasse apoio mais explícito a Flávio Bolsonaro.
Isso porque, apesar de seguir comprometido com o apoio a Flávio Bolsonaro para a Presidência da República, essa indefinição pública de Tarcísio em relação ao pleito de outubro estaria alinhada a caciques de partidos de centro e de direita que não concordam com a pré-candidatura do filho do ex-presidente.
Hoje, a probabilidade de Tarcisio disputar a reeleição, e não disputar o Palacio do Planalto é maior, apesar de seu nome ainda ser defendido para a eleição nacional.
