Superfungo: RN investiga caso suspeito de Candida auris em paciente


Hospital da Polícia Militar do Rio Grande do Norte
Stephany Souza/Inter TV Cabugi
A Secretaria de Saúde do Rio Grande do Norte confirmou que investiga um caso suspeito do fungo Candida auris – conhedido como “superfungo” – em um paciente de 58 anos que está internado no Hospital da Polícia Militar em Natal. O homem foi isolado.
O fungo gera preocupação das autoridades de saúde por ser resistente aos medicamentos usados neste tipo de tratamento. Ele se instala principalmente em pessoas com o sistema imunológico enfraquecido no ambiente hospitalar.
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Segundo a Secretaria de Saúde do RN, a possível presença do fungo no paciente foi alertada pelo Laboratório Central do Estado (Lacen) na última terça-feira (20).
A confirmação oficial depende de um teste sobre o genotipo do fungo que será realizado por um laboratório em São Paulo. A pasta não divulgou prazo para publicação do resultado.
Além da Secretaria de Saúde, o Hospital da PM informou que notificou o Ministério da Saúde sobre o caso.
Superfungo: especialistas explicam alcance e riscos do Candida auris
Segundo o médico infectologista Eduardo Teodoro, que atua no Hospital da PM, o paciente não apresenta infecção causada pelo fungo, mas uma colonização.
“A infecção acontece quando o micro-organismo está causando doença no paciente. Já a colonização ocorre quando o fungo está presente na pele ou em algum local do corpo, mas sem provocar doença”, explicou.
“Quando há infecção, fazemos o tratamento antifúngico. Quando é colonização, a principal medida é a prevenção, para evitar a disseminação dentro do ambiente hospitalar. É exatamente o que está sendo feito”, afirmou.
De acordo com o médico, o paciente deu entrada na unidade no dia 16 de janeiro com quadro de insuficiência cardíaca. Durante a internação, foram coletadas amostras de rotina. No dia 20 de janeiro, por volta das 13h, o laboratório anunciou a suspeita.
A infecção pelo Candida auris é resistente a medicamentos e pode ser fatal
Reuters
Mesmo antes da confirmação, o hospital informou que adotou imediatamente todas as medidas de vigilância e prevenção recomendadas pela Anvisa, como isolamento de contato do paciente, reforço das orientações de higiene e comunicação à equipe de saúde.
Segundo o médico, o paciente apresenta evolução clínica favorável. “Ele está em curva de melhora. Vai permanecer internado por mais alguns dias para tratamento clínico, antibióticos e realização de exames laboratoriais e de imagem”, disse.
Fungo raro e resistente
A Candida auris é considerada um fungo emergente e raro no Brasil, com registros em poucos estados. Caso a suspeita seja confirmada, este será o primeiro registro no Rio Grande do Norte. A infecção pode ser fatal.
Apesar da suspeita, o secretário de Saúde do RIo Grande do Norte, Alexandre Motta, afirmou que a população deve ficar tranquila.
“A preocupação em relação a esse fungo é que ele tem uma capacidade biológica de produzir uma coisa chamada biofilme, que é como se fosse uma película que faz com que os antifúngicos não consigam penetrar nele. E ele fica naquele ambiente onde ele está contaminante. Até os antif ngicos excepcionais têm pouquíssimo efeito”, explicou o secretário.
Por outro lado, ele afirmou que o superfungo tem baixa capacidade de infecção. Segundo o secretário, os profissionais que participam do tratamento do paciente estão usando equipamentos de proteção que são descartados após o uso para evitar contaminação de outras pessoas.
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