
A crise climática é reversível?
O aumento do nível do mar, o desaparecimento de geleiras e as ondas de calor cada vez mais frequentes levantam uma dúvida importante: a crise climática ainda pode ser revertida?
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De acordo com a Organização Meteorológica Mundial (OMM), alguns efeitos já não têm volta.
Mesmo que o mundo zerasse todas as emissões de gases de efeito estufa hoje, o nível do mar continuaria subindo por séculos, e muitas geleiras já estão condenadas a desaparecer.
Isso, no entanto, não significa que tudo está perdido.
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O IPCC, o principal órgão científico internacional sobre mudanças climáticas, afirma que ainda é possível estabilizar o aquecimento global em 1,5 ºC ou 2 ºC.
Para isso, as emissões precisam seguir uma trajetória muito clara: atingir o pico imediatamente, cair pela metade até 2030 e chegar a zero líquido em 2050.
Algumas medidas podem trazer resultados mais rápidos.
Reduzir o metano — um gás de efeito estufa muito mais potente que o dióxido de carbono — em até 50% pode baixar a temperatura global em até 0,2 ºC já nas próximas décadas.
Um barco navega à noite ao lado de um grande iceberg no leste da Groenlândia. A Groenlândia vem derretendo mais rápido na última década e, neste verão, foram registrados dois dos maiores derretimentos registrados desde 2012
Felipe Dana/AP
A cientista Thelma Krug, que foi vice-presidente do IPCC, alerta que cortes graduais não serão suficientes: as reduções precisam ser rápidas e profundas, caso contrário até a meta de limitar o aquecimento a 2 ºC pode ficar fora de alcance.
A meta de limitar o aquecimento global a 1,5°C ou 2 ºC acima dos níveis pré-industriais surgiu como um consenso científico e diplomático em 2015, com o Acordo de Paris.
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Ela foi definida após uma série de estudos mostrarem que esse valor representava um “limite seguro” para evitar os efeitos mais devastadores das mudanças climáticas – como secas intensas, colapso de ecossistemas, aumento extremo do nível do mar e impactos graves à saúde humana.
Por isso, em resumo, não é possível apagar os impactos já em curso, mas ainda dá para frear o avanço da crise e evitar um cenário muito mais grave.
Ativista do clima segura uma faixa durante uma manifestação contra os combustíveis fósseis
Alessandro Penso/MAPS via REUTERS
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