Otan vai reforçar vigilância no Báltico após novo incidente com drones na Dinamarca


Europa planeja “muro de drones” contra ameaças do leste
A Otan afirmou neste sábado (27) que vai “reforçar ainda mais a vigilância com novos recursos na região do Mar Báltico” após os recentes incidentes com drones na Dinamarca.
Em comunicado enviado por e-mail à agência de notícias Reuters, a aliança disse que os novos recursos incluem “plataformas de inteligência, vigilância e reconhecimento, além de ao menos uma fragata de defesa aérea”.
Em um novo episódio da “crise dos drones”, novas aeronaves não tripuladas de origem desconhecida foram avistadas na noite de sexta-feira (26) sobre a maior base militar da Dinamarca, informou a polícia local.
Os governos locais falam de um “ataque híbrido” da Rússia, que nega. Na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, negou que seu país tenha envolvimento na onda de drones que têm sobrevoado aeroportos e bases militares de países da Otan na Europa.
O anúncio ocorre após ministros da Defesa de países do leste europeu concordarem, nesta sexta, que a criação de um “muro antidrones” – uma espécie de domo com capacidades avançadas de rastreamento e interceptação dos equipamentos – é uma prioridade para o bloco.
Segundo o comissário europeu da Defesa, Andrius Kubilius, a prioridade do escudo é criar um “sistema de detecção [de drones] eficaz.” O projeto deverá ser debatido por líderes da UE em cúpula que acontece em Copenhague nesta semana.
➡️ Os drones têm desempenhado um papel central na guerra entre Ucrânia e Rússia. O aumento da atividade desses equipamentos também intensificou as preocupações de segurança em vários países europeus. Em geral, são usados tanto para atividades de inteligência quanto para ataques.
Embora os países da Otan tenham uma “compreensão muito boa” de como se defender contra ameaças convencionais, como mísseis e aviões, a avaliação é que precisam melhorar no enfrentamento a drones.
➡️ Quando os drones russos invadiram a Polônia, por exemplo, as nações da Otan mobilizaram caças e helicópteros de ataque e colocaram sistemas de defesa antimísseis em alerta. Mas nenhuma dessas opções foi projetada especificamente para combater drones.
Ainda não há detalhes sobre como a muralha funcionará nem como será financiada. De acordo com o comissário europeu, os líderes pretendem estruturar uma política industrial e financeira para o projeto.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse no início deste mês que a Europa “deve atender ao chamado de nossos amigos bálticos e construir uma muralha de drones”.
Von der Leyen afirmou que 6 bilhões de euros (US$ 7 bilhões) serão reservados para a criação de uma aliança de drones com a Ucrânia, cujas forças armadas utilizaram esses equipamentos para causar cerca de dois terços de todas as perdas de material militar sofridas pelas tropas russas.
Radar de drones monitora céus na região de Dragoer, na Dinamarca, perto da fronteira com a Suécia, em 26 de setembro de 2025.
Steven Knap/Ritzau Scanpix via AP
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