Quem era a arquiteta encontrada morta após 3 meses desaparecida

Fernanda Silveira de Andrade, de 29 anosArquivo pessoal

Após três meses desaparecida, Fernanda Silveira de Andrade, arquiteta de 29 anos, foi encontrada morta em uma área de mata em Marsilac, na zona sul de São Paulo. O corpo foi localizado depois que o ex-namorado confessou o crime à Polícia Militar. Segundo relatos da família, o relacionamento era marcado por agressões, ameaças e controle abusivo.

Em entrevista ao Portal iG, a mãe da vítima, Neusa Andrade, contou que Fernanda começou a trabalhar como arquiteta em um hotel em Águas de Lindóia, no interior de São Paulo, em 2023, onde conheceu Euhanan dos Santos Barbosa, então funcionário de uma empreiteira de São Paulo.

Após o início do relacionamento, a mãe relata mudanças no comportamento do homem. “Esse cara muito ciumento, psicopata, começou a ter ciúmes dela doentio”, disse.

No fim de 2023, Fernanda perdeu o emprego e se mudou para a capital com o namorado.

Já no início de 2024, de acordo com Neusa, a situação se agravou. “[Ele] já foi ficando abusivo, querendo ser o controlador da vida dela, mantendo ela presa, sem até vir ver a gente”, relatou.

Mesmo sob violência, Fernanda tentava manter contato com a família e chegou a voltar para a casa da mãe em datas específicas. Em maio de 2024, a arquiteta conseguiu fugir do companheiro para passar o Dia das Mães com a família. 

Denúncias e medida protetiva

As agressões continuaram ao longo de 2024. Fernanda foi espancada, registrou boletim de ocorrência, obteve medida protetiva e um mandado de prisão contra o agressor foi expedido, segundo Neusa. Ainda assim, o homem conseguiu convencê-la a retirar a queixa e retomar o relacionamento.

Foi essa vida de idas e voltas. Ela queria ficar aqui, ele não queria na minha casa”, afirmou Neusa.

Em 2025, Euhanan esfaqueou Fernanda oito vezes, causando perfurações no intestino, no pulmão e no baço. Apesar da gravidade do ataque, ele não chegou a ser preso, e os dois reataram o relacionamento.

Após esse episódio, segundo Neusa, as ameaças se intensificaram e o ex-namorado passou a dizer que mataria toda a família caso Fernanda não voltasse a morar com ele em São Paulo.

O psicológico dela estava muito abalado”, disse a mãe, e assim a jovem retornou a viver com Euhanan.

Neusa afirmou que registrou boletim de ocorrência em 11 de julho de 2025 e procurou ajuda da polícia e do Ministério Público, mas não obteve retorno efetivo. Ela também pediu o rastreamento do celular da filha, solicitação que, segundo ela, não foi atendida.

Fernanda conseguiu fugir novamente para passar férias com a mãe no Guarujá, com a intenção de retornar definitivamente para casa. No entanto, segundo o relato, Euhanan foi até o local armado e a ameaçou, forçando-a a voltar para São Paulo.

Ela voltou para salvar a gente”, afirmou Neusa.

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Desaparecimento da arquiteta

O desaparecimento ocorreu em 07 de outubro de 2025. Neusa registrou boletim pelo sumiço da filha no dia 13 do mesmo mês. O corpo da arquiteta só foi localizado três meses depois, após a prisão do ex-namorado.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP), Euhanan foi capturado pela Polícia Militar no sábado (24), portando um revólver calibre 38 e munições. Durante a abordagem, ele confessou o crime e indicou onde havia enterrado o corpo.

O caso foi registrado como “feminicídio, localização/apreensão de objeto, violência doméstica e posse ilegal de arma de fogo no 101º DP (Jardim das Imbuias)“, segundo a SSP. O suspeito já possuía registro policial por tentativa de homicídio contra a própria Fernanda.

Pedido por justiça

Segundo a mãe, Fernanda era dedicada aos estudos e à família e ajudava a cuidar do pai, que é acamado. “Nunca teve vício, estudiosa, se formou arquiteta, tinha muito sonho, sonho em construir uma casa pra gente que a gente paga aluguel”, disse Neusa.

A mãe relembra que Fernanda conciliava trabalho, estudo e deslocamentos diários para concluir a graduação. “Ela fez Fies, ela lutou, ela estudou, ela ia para Jaguariúna toda noite”, relatou a mãe.

Agora eu espero que tenha justiça. Eu peço às autoridades que esse cara pegue pena máxima”, afirmou Neusa.

Ele destruiu a minha família, a minha vida, do meu esposo, do meu filho. A gente perdeu a coisa mais preciosa que eu tinha na vida, minha filha. É isso. Ela era uma pessoa maravilhosa”, finalizou a mãe

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