
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) convocou o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para prestar depoimento no dia 05 de fevereiro, em Brasília. Na mesma data, a comissão também ouvirá Luiz Félix Cardamone Neto, ex-presidente do Banco BMG.
Os depoimentos fazem parte das investigações sobre descontos indevidos aplicados em aposentadorias e pensões pagas pelo INSS, apurados pela comissão.
O anúncio foi feito pelo presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos), em uma rede social. Segundo ele, “a CPMI seguirá adotando todas as medidas legais cabíveis para assegurar que os fatos sejam plenamente esclarecidos diante do povo brasileiro”.
Vorcaro também é investigado pela Polícia Federal no inquérito que apura uma fraude financeira envolvendo o Banco Master.
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Pedido de prorrogação dos trabalhos
Viana ainda anunciou a coleta de assinaturas para prorrogar o funcionamento da CPMI, cujo encerramento está previsto para 28 de março. Segundo ele, a medida é necessária para aprofundar as investigações.
“Não é aceitável encerrar esse trabalho sem que todas as responsabilidades sejam devidamente apuradas (…) Tenho convicção de que o pedido de prorrogação será analisado com seriedade e acolhido, em respeito ao interesse público e ao dever constitucional do Congresso Nacional de fiscalizar e dar respostas ao povo brasileiro”, afirmou o senador.
Em dezembro, Viana já havia comunicado à comissão a intenção de solicitar a prorrogação por mais 60 dias, para ouvir todos os convocados. Apenas em uma reunião realizada no fim de novembro, foram aprovados 300 requerimentos de convocação de autoridades e pedidos de informação.
Foco das investigações
Instalada em 20 de agosto de 2025, a CPMI do INSS realizou 29 reuniões até 04 de dezembro e deve retomar os trabalhos em 05 de fevereiro.
Em 2026, as atividades da comissão serão concentradas na análise de fraudes relacionadas a empréstimos consignados, com suspeitas de assédio, concessões sem consentimento e renovações fraudulentas que resultaram em dívidas consideradas impagáveis.
Em 2025, a CPMI ouviu 26 testemunhas, entre elas Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como o “Careca do INSS“.
O relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União), classificou Antunes como “autor do maior roubo a aposentados e pensionistas da história do Brasil”. Segundo dados apurados pela CPMI, ele seria o operador do esquema e teria movimentado R$ 24,5 milhões em cinco meses.
Até janeiro de 2026, a CPMI analisou cerca de 4,8 mil documentos, aprovou 73 requerimentos de informação e 48 quebras de sigilo, além de apontar 108 empresas suspeitas e mais de R$ 1,2 bilhão em movimentações financeiras consideradas incompatíveis.
