Brumadinho: após 7 anos, maioria dos recursos segue sem execução

Rompimento da barragem Mina Córrego do Feijão, em BrumadinhoVinicius Mendonça/ Ibama

Sete anos após o rompimento da barragem da mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, no interior de Minas Gerais, a maior parte dos recursos previstos no acordo judicial de reparação ainda não foi executada.

O rompimento matou 272 pessoas e contaminou a bacia do Rio Paraopeba.

Até agora, R$ 9,14 bilhões foram executados, o equivalente a pouco menos de um quarto dos R$ 37,6 bilhões previstos no acordo.

O termo foi assinado em fevereiro de 2021, dois anos após o desastre, entre o Governo de Minas Gerais, a Vale e instituições do sistema de Justiça, incluindo o Ministério Público e a Defensoria Pública.

Desde então, os recursos vêm sendo aplicados em diferentes frentes previstas no acordo, enquanto parte das ações permanece em fase de execução ou contratação.

Obras avançam, enquanto reparação segue em execução

Hospitais, unidades básicas de saúde, obras viárias e projetos ambientais começaram a sair do papel nos últimos anos.

No balanço oficial, os investimentos se concentram nas áreas de saúde, infraestrutura, meio ambiente e desenvolvimento social. Entre as principais entregas está o Hospital Regional de Teófilo Otoni, financiado com recursos do acordo.

A unidade amplia a capacidade hospitalar no interior do estado, embora esteja localizada a centenas de quilômetros da área diretamente atingida pelo rompimento.

Na infraestrutura, os recursos também bancaram obras como a pavimentação de trechos da MG-060, a compra de ônibus para o transporte público e a construção de moradias populares em municípios incluídos no acordo.

Reparação social e recuperação ambiental

A participação direta das comunidades atingidas na definição de prioridades teve início em 2025, com a execução do anexo do acordo voltado à reparação coletiva.

Foram iniciados 21 projetos para povos e comunidades tradicionais, após mais de 100 reuniões em campo.

De forma paralela, cerca de 15 mil pessoas receberam indenizações individuais, enquanto as ações voltadas à reparação coletiva dos territórios seguem em implementação.

O Rio Paraopeba permanece sob monitoramento permanente. Programas de saneamento e recuperação ambiental estão em andamento, com previsão de R$ 1,47 bilhão em investimentos, embora parte relevante das obras ainda esteja em execução ou fase de contratação.

Comunidades ao longo da bacia seguem utilizando sistemas alternativos de abastecimento de água.

Até o momento, os processos criminais relacionados ao rompimento da barragem ainda não resultaram em condenações definitivas.

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