Caged: Brasil cria 1,28 milhão de vagas em 2025, pior desempenho desde a pandemia

CAGED, MERCADO DE TRABALHO

O Brasil encerrou 2025 com a criação líquida de 1,28 milhão de vagas formais de trabalho, segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), divulgados nesta quinta-feira (29) pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

O resultado é fruto de 26,6 milhões de contratações e 25,3 milhões de demissões ao longo do ano. Apesar de positivo, o número representa uma queda de 23% em relação a 2024, quando o país havia registrado a abertura de cerca de 1,67 milhão de postos com carteira assinada.

Com isso, 2025 marca o pior desempenho anual do mercado formal desde 2020, ano da pandemia, quando o saldo foi negativo em 189 mil vagas.

Dezembro puxa resultado para baixo, mostra Caged

No mês de dezembro, o saldo do Caged foi negativo em 618 mil vagas, movimento considerado sazonal. Tradicionalmente, o último mês do ano registra fechamento de postos de trabalho devido ao encerramento de contratos temporários no comércio e nos serviços, além de ajustes de custos e encerramento de projetos por parte das empresas.

Juros elevados e sinais de desaquecimento

Nos últimos meses, o mercado de trabalho vem apresentando sinais claros de desaceleração. Segundo o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, os resultados refletem o impacto da taxa básica de juros elevada, atualmente em 15% ao ano, sobre a atividade econômica.

Do total de vagas criadas em 2025, 78,4% são consideradas vagas típicas, enquanto 21,6% são não típicas, como contratos intermitentes ou temporários.

Serviços lideram geração de empregos, aponta Caged

Todos os cinco grandes setores da economia registraram saldo positivo no ano, com destaque para o setor de serviços, responsável pela maior parte das vagas criadas.

Saldo por setor em 2025:

  • Serviços: 758,8 mil vagas

  • Comércio: 247,1 mil

  • Indústria: 144,3 mil

  • Construção: 87,8 mil

  • Agropecuária: 41,8 mil

No setor industrial, as contratações se concentraram principalmente nos segmentos alimentício e de reparação e instalação de máquinas. No comércio, o principal destaque foi o varejo.

Já na construção, o saldo positivo foi puxado pelas áreas de construção de edifícios e de serviços especializados para a construção. No setor de serviços, o avanço esteve concentrado nas atividades de informação e comunicação e nas atividades financeiras e imobiliárias.

No agronegócio, o resultado foi impulsionado sobretudo pelos cultivos de laranja e soja.

São Paulo lidera entre os estados

Todas as 27 unidades da federação registraram saldo positivo em 2025. Os maiores volumes de geração de empregos foram observados em:

  • São Paulo: 311 mil vagas

  • Rio de Janeiro: 100,9 mil

  • Bahia: 94 mil

Os dados reforçam que, apesar da manutenção do saldo positivo, o mercado de trabalho brasileiro entra em 2026 em um contexto de menor ritmo de geração de vagas, em linha com o ambiente de juros elevados e moderação da atividade econômica.

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