
Jovens entre 18 e 29 anos representam a maior parcela dos brasileiros deportados e acolhidos em situação de vulnerabilidade desde agosto do ano passado. Dados do programa Aqui é Brasil, do governo federal, mostram que 957 dos 3.113 repatriados atendidos pertencem a essa faixa etária.
Segundo o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), responsável pela iniciativa, a maioria dos deportados é formada por homens: são 802 homens e 155 mulheres entre os jovens repatriados. A segunda faixa etária com maior número de retornos é a de 30 a 39 anos, com 924 pessoas, sendo 790 homens e 134 mulheres. A maior parte dos brasileiros deportados veio dos Estados Unidos.
Em relação ao destino, Minas Gerais concentrou quase metade dos repatriados, com 1.568 pessoas acolhidas. Na sequência aparecem Rondônia, com 314, e São Paulo, com 287 retornos.
Novo grupo chega ao Brasil
Um novo grupo de 93 brasileiros deportados dos Estados Unidos chegou ao país na noite desta sexta-feira (30), em mais uma operação conduzida pelo governo norte-americano. O acolhimento foi organizado pelo MDHC, com apoio de órgãos federais, governos locais e instituições parceiras.
A aeronave pousou por volta das 20h40 no Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins (MG). Após o desembarque, os repatriados receberam atendimento inicial, com orientações e encaminhamentos para serviços de apoio. Parte do grupo foi levada a um hotel que serve como base da operação, onde recebeu alimentação, kits de higiene, suporte psicossocial, acompanhamento médico e psicológico, além de auxílio para a compra de passagens até os destinos finais.
Programa federal de acolhimento
Criado em agosto de 2025, o Aqui é Brasil tem duração prevista de 12 meses e foi estruturado para oferecer uma resposta coordenada e humanizada a brasileiros repatriados ou deportados em situação de vulnerabilidade. Segundo o governo, o programa surgiu diante do endurecimento das políticas migratórias nos Estados Unidos, especialmente durante o governo de Donald Trump.
“A operação está ocorrendo conforme o planejamento. Algumas pessoas já conseguiram seguir diretamente para junto de seus familiares, enquanto outras permanecem conosco no hotel para receber apoio, proteção e encaminhamento”, afirmou Marina Melo Machado, da equipe de proteção da Organização Internacional para as Migrações (OIM), que atua como porta-voz da operação.
O programa é coordenado pelo MDHC em parceria com os ministérios das Relações Exteriores, Desenvolvimento e Assistência Social, Saúde e Justiça e Segurança Pública, além de governos estaduais, Polícia Federal, Defensoria Pública da União, ANTT e organismos internacionais.
Nesta sexta-feira (30), o MDHC e a OIM lançaram duas novas ferramentas públicas para ampliar a transparência das ações: um dashboard público e uma ficha informativa com dados consolidados das operações.
