Caso Epstein: Bill e Hillary Clinton vão depor no Congresso

Bill e Hillary ClintonReprodução/Wikipédia Commons

O ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton e a ex-secretária de Estado Hillary Clinton confirmaram que irão comparecer ao depoimento no Congresso sobre o caso Jeffrey Epstein.

A informação foi divulgada na noite desta segunda-feira (02) em uma postagem do advogado Angel Ureña, aliado do casal, e é uma mudança de posição após meses de impasse com o Comitê de Supervisão da Câmara.

A manifestação ocorreu depois de o comitê, presidido pelo deputado republicano James Comer, rejeitar formalmente as condições impostas pelos Clinton para prestar depoimento e manter a possibilidade de abertura de um processo por desacato.

Em publicação feita às 20h27 (horário de Brasília) na rede social X, Ureña afirmou que o casal negociou “de boa-fé” com o Congresso, mas que, apesar do embate, os dois estarão presentes.

“O ex-presidente e a ex-secretária de Estado estarão lá. Eles aguardam estabelecer um precedente que se aplique a todos”, escreveu. A mensagem foi repostada nos perfis oficiais de Bill e Hillary Clinton.

Reação ao Comitê e mudança de posição

A postagem foi uma resposta direta ao perfil oficial do Comitê de Supervisão, que havia acusado o casal de tentar evitar o desacato ao pedir “tratamento especial” após descumprir intimações legais.

Na publicação, o comitê afirmou que os Clinton “não estão acima da lei” e divulgou imagens da carta enviada pelo deputado James Comer rejeitando as exigências da defesa.

No documento, o comitê recusa limitar o escopo do depoimento de Bill Clinton, rejeita a substituição de uma deposição sob juramento por uma entrevista voluntária e descarta a imposição de um limite rígido de quatro horas para o testemunho.

A carta também exige o comparecimento presencial de Hillary Clinton, afastando a possibilidade de declarações por escrito.

A confirmação da presença representa um recuo em relação à posição anunciada em janeiro.

Em 13 de janeiro, o casal informou que não compareceria ao Congresso, alegando que as intimações eram juridicamente inválidas e que o comitê não havia avançado na apuração sobre a atuação do governo no caso Epstein.

À época, os Clinton afirmaram que pretendiam contestar a convocação nos fóruns institucionais disponíveis e criticaram a condução da investigação, aberta após a divulgação de cerca de 30 mil páginas de documentos do Departamento de Justiça dos Estados Unidos sobre o financista, morto em 2019 enquanto aguardava julgamento por acusações federais de tráfico sexual de menores.

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Próximos passos

O Comitê de Supervisão ainda não divulgou a data do depoimento, mas a carta enviada pela presidência do colegiado afirma que a intenção é concluir as oitivas dentro do expediente legislativo, sem prorrogações desnecessárias.

Caso o comparecimento se confirme nos termos exigidos pelo Congresso, o processo de desacato tende a ser suspenso.

A investigação parlamentar busca apurar não apenas a atuação do governo federal no caso Epstein, mas também a rede de relações e eventuais tentativas de influência envolvendo figuras públicas.

Até o momento, Ghislaine Maxwell é a única pessoa condenada criminalmente como cúmplice de Epstein.

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