Ex-presidente da RioPrevidência é preso em operação da PF

Deivis Antunes foi afastado do comando da RioPrevidência em janeiro, segundo o governo do estadoTânia Rêgo/Agência Brasil

O ex-presidente da RioPrevidência, Deivis Marcon Antunes, foi preso na manhã desta terça-feira (03) durante a segunda fase da Operação Barco de Papel, deflagrada pela Polícia Federal (PF), com apoio da Polícia Rodoviária Federal (PRF).

Segundo informações da PF e da PRF, Antunes foi abordado enquanto trafegava em um carro alugado na Via Dutra (BR-116), em Itatiaia (RJ). O investigado havia desembarcado no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, antes de seguir viagem em direção ao Rio de Janeiro.

Após a prisão, ele foi conduzido à Delegacia da Polícia Federal em Volta Redonda (RJ). Em seguida, será transferido para a Superintendência da PF no Rio de Janeiro, onde será ouvido e permanecerá à disposição da Justiça.

Deivis Antunes foi afastado do cargo de diretor-presidente do Rioprevidência pelo governador do estado do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), em 23 de janeiro.

Deivis Antunes foi preso nesta terça-feira (03) durante a segunda fase da Operação Barco de PapelDivulgação/Polícia Federal
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Obstrução e ocultação de provas

Segundo a Polícia Federal, três mandados de prisão temporária e nove mandados de busca e apreensão, em endereços vinculados aos investigados no Rio de Janeiro e em Santa Catarina, foram decretados com base em indícios de obstrução das investigações e ocultação de provas. Outros dois alvos da ação seguem foragidos.

Após o cumprimento de buscas na primeira fase da operação, realizada em 23 de janeiro, os investigadores identificaram movimentações consideradas suspeitas, como a retirada de documentos de um apartamento, manipulação de provas digitais e a transferência de bens, incluindo dois veículos de luxo, para terceiros.

Segundo a PF, a ordem de prisão temporária foi expedida pela 6ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro “que considerou haver risco concreto de destruição de provas e obstrução das investigações caso os envolvidos permanecessem em liberdade”.

Investimentos sob apuração

A Operação Barco de Papel investiga irregularidades na aquisição de letras financeiras emitidas pelo Banco Master, instituição financeira liquidada pelo Banco Central.

Segundo a Polícia Federal, entre novembro de 2023 e julho de 2024, a RioPrevidência teria investido cerca de R$ 970 milhões nesses títulos.

As apurações tiveram início em novembro de 2025 e analisam um conjunto de nove operações financeiras realizadas no período. O trabalho contou com o apoio da Secretaria de Regime Próprio e Complementar do Ministério da Previdência Social, que elaborou um relatório de auditoria fiscal utilizado como base para o avanço das investigações.

Em nota ao iG, o governo estadual afirmou ainda que instaurou, em dezembro de 2025, um procedimento interno por meio da Controladoria Geral do Estado (CGE-RJ) “para apurar todos os fatos relativos a investimentos feitos pela autarquia, reforçando o seu compromisso com a proteção do patrimônio previdenciário do funcionalismo fluminense“.

Segundo a nota, a Tomada de Contas da CGE-RJ segue em andamento para apurar “eventuais e possíveis danos ao erário público, bem como eventuais e possíveis trangressões disciplinares de gestores do fundo“.

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