EUA não querem só ganhar na relação comercial. Querem golear

O presidente dos EUA, Donald Trump Casa Branca/Reprodução

Howard Lutnick, secretário de Comércio dos Estados Unidos, foi à TV neste sábado dizer que o Brasil tem um “problema” e precisa de “conserto”.

Mais. Segundo o secretário, países como o nosso “precisam reagir corretamente aos Estados Unidos”. 

Curioso que a declaração tenha acontecido às vésperas de um possível encontro entre Donald Trump e o presidente Lula (PT).

Quem ouve parece que ele fala sobre o cachorrinho incapaz de andar na coleira e fazer xixi no tapetinho. O chefe dele, Donald Trump, manda sentar, rolar, deitar. Alguns países sentam, rolam, deitam. Outros latem e se negam. Esses, pelo visto, precisam de conserto.

Lutnick fala sob o ponto de vista do comércio global. O conserto, no caso do Brasil, envolve mais abertura de mercado e menos ações “que prejudiquem os Estados Unidos”. “É por isso que estamos em desvantagem com eles”, disse.

Parece choro de perdedor, mas não é.

Um levantamento do portal G1, em fevereiro, mostra que os EUA exportam bem mais do que importam na relação com o Brasil. O superávit, em favor dos norte-americanos, é de US$ 48,21 bilhões desde 1997. Desde 2009 o Brasil só registra déficit com o parceiro. As vendas estadunidenses ao Brasil superaram suas importações em US$ 88,61 bilhões.

Então por que Lutnick mente? Porque, pra ele, não basta ganhar. É preciso golear por 7 a 1. 

E isso só é possível quando você instala, no centro decisório do parceiro comercial, cães domesticados que ao fim da goleada agradecem e pedem desculpas pelo gol de honra.

Os interesses da Casa Branca hoje não se resumem a um mero superávit comercial. O que eles querem é controle e tapete vermelho em direção a áreas estratégicas. Não pode mexer nem regular nas redes sociais. As big techs pagaram caro para ter um aliado em Washington e cobram o preço. Regulamentação de plataformas é palavra proibida para quem costuma usar essa estrada sem pedágio ou limite de velocidade para espalhar medo e ódio, a argamassa da extrema-direita trumpista.

Mais: o Brasil possui uma das maiores reservas de minerais críticos do mundo. Esses minerais são usados nas indústrias farmacêutica, automotiva e energética. 

Por exemplo, o lítio, fundamental para a transição energética. E nióbio. E grafita, níquel, manganês, alumínio, cobre, cobalto, vanádio e terras raras, grupo de 17 elementos químicos usados para a indústrias de carros elétricos e a indústria de defesa.

Sem contar o petróleo, uma riqueza estratégica ainda nas mãos da Petrobras, uma estatal de economia mista.

Se pudesse, Lutnick e sua turma pintaram tudo isso de azul, vermelho e branco, cores da bandeira norte-americana, usada nas manifestações da extrema-direita em defesa da liberdade de Jair Bolsonaro (PL) – clã da família que levou o entreguismo brasileiro a um outro patamar.

Além do governo, o Judiciário brasileiro também rosnou quando o chefe da turma mandou abanar o rabo e buscar o osso. E confirmou a prisão do cachorrinho que late para os compatriotas e senta, deita e rola quando ouve a voz de Donald Trump. 

*Este texto não reflete necessariamente a opinião do Portal iG

Adicionar aos favoritos o Link permanente.