
A NASA está tentando voltar à Lua com o foguete mais poderoso já construído pela agência. Mas, mais uma vez, um velho conhecido entrou no caminho. Um vazamento de hidrogênio interrompeu um teste essencial da missão Artemis 2, forçando o adiamento do lançamento que levaria astronautas ao redor do satélite natural da Terra.
O problema não é novo, e é justamente isso que chama atenção. O mesmo tipo de vazamento já havia causado atrasos significativos na missão Artemis 1, quatro anos atrás. Na época, o foguete precisou ser levado de volta ao prédio de montagem mais de uma vez antes de finalmente decolar, em 2022.
“Realmente aprendemos muito com a missão Artemis 1 e implementamos muitas das lições aprendidas ontem durante o ensaio geral“, disse Lori Glaze, administradora associada interina da Diretoria de Missões de Desenvolvimento de Sistemas de Exploração da NASA, durante uma coletiva de imprensa.
O momento ideal para falhas
O ensaio que foi interrompido é conhecido como wet dress rehearsal. Na prática, é um “ensaio geral” de lançamento, em que o foguete é abastecido com enormes quantidades de combustível criogênico e passa por quase toda a contagem regressiva.
A ideia de toda essa série de testes é simples: se algo tiver que falhar, que falhe no teste, não com astronautas a bordo.
E foi exatamente isso que aconteceu.

Durante o abastecimento, sensores detectaram um vazamento de hidrogênio em uma conexão localizada na base do foguete. A equipe conseguiu seguir com o teste por horas, chegou a completar o enchimento dos tanques, mas precisou interromper a contagem regressiva nos minutos finais por segurança.
“Assim que iniciamos a pressurização, percebemos que o vazamento dentro da cavidade surgiu muito rapidamente“, disse Charlie Blackwell-Thompson, diretora de lançamento do programa Artemis, durante a coletiva de imprensa.
Por que esse vazamento é tão difícil de resolver?
O hidrogênio líquido é um dos combustíveis mais eficientes já usados em foguetes, e também um dos mais problemáticos. Suas moléculas são extremamente pequenas, o que faz com que qualquer microfalha em selos ou conexões possa gerar vazamentos.
Além disso, o foguete passa por situações extremas: vibração durante o transporte, contração e expansão com variações bruscas de temperatura e mudanças de pressão durante o abastecimento.

Segundo a NASA, o próprio trajeto do foguete até a plataforma de lançamento pode ter contribuído para o problema. O SLS leva cerca de 12 horas para percorrer poucos quilômetros, em um deslocamento lento, mas cheio de tensões estruturais.
Um atraso preocupante, mas esperado
Apesar do contratempo, a NASA não considera o episódio como um fracasso. Pelo contrário: a agência destaca que, desta vez, conseguiu abastecer completamente o foguete na primeira tentativa, algo que não havia acontecido na Artemis 1.
Outro ponto considerado positivo é que os reparos podem ser feitos diretamente na plataforma, sem a necessidade de levar o foguete de volta ao prédio de montagem, o que reduziria o impacto no cronograma. Ainda assim, a missão perdeu a janela de lançamento prevista para fevereiro. Agora, a nova tentativa deve acontecer a partir de março, se os ajustes forem bem-sucedidos.
Saiba mais sobre a Missão Artemis 2
A Artemis 2 será a primeira missão tripulada da NASA além da órbita baixa da Terra desde 1972. Quatro astronautas, três americanos e um canadense, devem passar cerca de dez dias em uma viagem ao redor da Lua.
A nave Orion fará uma série de manobras em órbita da Terra antes de seguir rumo à Lua em uma trajetória chamada de “retorno livre”, que usa a gravidade do sistema Terra-Lua para trazer a espaçonave de volta sem a necessidade de grandes manobras de propulsão.

