
Nascido do caos deixado pelo massacre do Carandiru, em outubro de 1992, o Primeiro Comando da Capital (PCC) transformou-se, ao longo de pouco mais de três décadas, na maior facção criminosa do país. Criado em 1993 por oito presos transferidos para a Casa de Custódia de Taubaté, o grupo surgiu sob o discurso de justiça pelos mortos no presídio e de luta por melhores condições carcerárias, inspirando-se no lema “paz, justiça e liberdade”, do Comando Vermelho, e em uma retórica de enfrentamento ao sistema capitalista, conforme levantamento do Insight Crime.
Com cerca de 30 mil integrantes espalhados por 22 dos 27 estados brasileiros e ramificações em países vizinhos como Bolívia, Paraguai e Colômbia, o PCC mantém seu principal eixo de atuação em São Paulo, onde concentra aproximadamente 8 mil membros e presença em cerca de 90% dos presídios. Nos últimos anos, a facção voltou a chamar atenção por execuções de alto impacto, como as de Vinicius Gritzbach e do ex-delegado Ruy Ferraz, evidenciando o alcance e a capacidade de articulação do grupo dentro e fora do sistema prisional.
O homem à frente do Carandiru no dia do massacre
O diretor da extinta ‘Casa de Detenção’, na zona norte de São Paulo, durante o massacre do Carandiru, José Ismael Pedrosa, morreu aos 70 anos após sofrer um atentado no centro de Taubaté, cidade localizada a cerca de 130 quilômetros da capital paulista.
Pedrosa faleceu no dia 23 de outubro de 2005, por volta das 17h. Segundo a polícia, ele foi perseguido por três carros e, ao tentar escapar em marcha à ré, colidiu contra um poste. Em seguida, foi atingido por 10 disparos de pistola.

De acordo com arquivos da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, Pedrosa trabalhou por 40 anos na Casa de Custódia e Tratamento de Taubaté e por cinco anos na Casa de Detenção de São Paulo. Era considerado um dos homens mais respeitados do sistema prisional brasileiro.
Ainda segundo o documento, nos anos de 1986 e 1988, ele deixou o comando da Casa de Custódia para dirigir a extinta Casa de Detenção de São Paulo, também conhecida como Complexo do Carandiru.
Durante sua gestão no presídio, ocorreu um dos episódios mais marcantes da história do sistema prisional brasileiro: a morte de 111 detentos, após uma rebelião reprimida pela polícia em outubro de 1992, episódio que ficou conhecido como o massacre do Carandiru.

Após a tragédia, Pedrosa foi novamente transferido para a Casa de Custódia e Tratamento de Taubaté, onde presenciou o surgimento do Primeiro Comando da Capital (PCC), em 1993.
Sete anos depois, acompanhou outra rebelião violenta na unidade, que resultou na morte de nove presos, três deles decapitados.
Em razão do rigor com que administrava as penitenciárias, Pedrosa passou a ser visto como inimigo número um do PCC. Em abril de 2001, uma de suas filhas, a médica Eulália Rodrigues Pedrosa Almeida, foi sequestrada por integrantes da facção. Em troca da libertação da vítima, os criminosos exigiam a transferência de Pedrosa para outra unidade prisional e a soltura de líderes do grupo. O plano, no entanto, fracassou, e a médica foi resgatada pela polícia três dias depois, em um cativeiro na cidade de Santos.
Pedrosa se aposentou em 2003, atendendo a pedidos da esposa e dos filhos.
Três pessoas foram julgadas pelo assassinato. João Paulo Oliveira Carvalho é acusado de ter planejado a ação e fornecido o veículo utilizado para levar o executor. Marcos Silva, conhecido como Babão, foi visto por testemunhas nas proximidades do local do crime. O terceiro denunciado, Elias Santos Nascimento, é suspeito de ter dirigido outro carro usado na ação criminosa.
A primeira vítima fora do mundo do crime

O assassinato do juiz Antônio José Machado Dias, conhecido como Machadinho, foi a primeira execução atribuída ao Primeiro Comando da Capital (PCC). O crime ocorreu em Presidente Prudente, no interior de São Paulo, e é considerado o primeiro atentado terrorista praticado pela facção que passou a controlar o crime organizado no estado.
Na noite de 14 de março de 2003, o magistrado deixou o Fórum de Presidente Prudente e, segundo assessores da época, dispensou a escolta policial que o acompanhava habitualmente, por se tratar de uma sexta-feira e por ir direto para casa. Machado Dias era responsável por conduzir processos envolvendo líderes do PCC e passou a ser alvo da facção em um período em que o traficante Fernandinho Beira-Mar estava detido no presídio de segurança máxima de Presidente Bernardes, região onde o juiz atuava. A execução teria sido ordenada por Marcola, líder da facção.

A cerca de 300 metros do fórum, na rua José Maria Armond, na Vila Roberto, o veículo do juiz foi interceptado por outros dois carros. O primeiro disparo fez com que ele perdesse o controle da direção e colidisse contra uma árvore. Em seguida, outros disparos atingiram o magistrado, que tinha 47 anos à época.
Machado Dias era corregedor de 14 unidades prisionais da região oeste do estado, considerada um dos principais redutos da facção. Integrantes da cúpula do PCC estavam insatisfeitos com sua atuação. Cinco pessoas foram condenadas pelo crime.
O atentado entrou para a história como o primeiro ataque direto do crime organizado contra uma autoridade do Poder Judiciário no Brasil.
O caso resultou na adoção de medidas para reforçar a segurança dos magistrados, como a implantação de detectores de metal em todos os fóruns e a criação de uma comissão de segurança no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), responsável por acompanhar diretamente a situação dos juízes.
Quem era Vinícius Gritzbach executado no Aeroporto Internacional de Guarulhos?
Antônio Vinícius Lopes Gritzbach era corretor de imóveis e ficou conhecido por atuar na lavagem de dinheiro para criminosos da facção Primeiro Comando da Capital (PCC)
Ele foi apontado como mandante do assassinato do traficante Anselmo Becheli Santa Fausta, conhecido como Cara Preta, ocorrido em 2021.
Gritzbach também foi acusado de causar um prejuízo milionário a integrantes do PCC. Posteriormente, firmou um acordo de delação premiada com o Ministério Público, no qual entregou policiais corruptos e outros criminosos envolvidos com o crime organizado.

Em março de 2024, ele fez um acordo de delação com o Ministério Público (MP) do Estado de São Paulo. O conteúdo da delação é sigiloso, mas, em outubro de 2024, o MP encaminhou à Corregedoria da Polícia trechos do documento em que o delator denuncia policiais civis por extorsão. Em 31 de outubro ele foi ouvido pela Corregedoria oito dias antes de ser morto. Gritzbach também delatou um esquema de lavagem de dinheiro utilizado pelo grupo criminoso PCC.
Vinícius Gritzbach tinha 38 anos quando foi executado no terminal 2 Aeroporto Internacional de Guarulhos, em novembro de 2024. Ele foi atingido por dez disparos em plena luz do dia, logo após desembarcar de um voo vindo de Goiás. Os executores, todos policiais militares que atuavam a serviço de traficantes de drogas, foram presos. Outras três pessoas ficaram feridas no tiroteio.

Kauê Amaral Coelho, de 29 anos, segue foragido. Imagens das câmeras de segurança do aeroporto mostram que ele estava no saguão monitorando a chegada de Gritzbach e foi quem deu o sinal para o início da execução. Segundo as investigações, contra ele há um mandado de prisão em aberto. Inicialmente, Kauê teria fugido para o Rio de Janeiro, onde se escondeu na Vila Cruzeiro, reduto da facção Comando Vermelho (CV).

Policiais militares de São Paulo chegaram a flagrar Kauê em uma residência na comunidade, mas, pouco depois, um drone utilizado na operação foi derrubado. Setores da polícia paulista afirmam que ele conseguiu fugir para a Bolívia, acompanhado de Diego dos Santos Amaral, conhecido como Didi, traficante do PCC e primo de Kauê.
As investigações indicam que Didi foi um dos mandantes da morte de Vinícius Gritzbach e teria sido o responsável por organizar a emboscada. Na fuga, ele teria passado pelo Rio de Janeiro antes de seguir para a Bolívia.

Outro apontado como principal mandante do crime é Emílio Carlos Gongorra Castilho, conhecido como Cigarreira, que também está foragido e já teria deixado o país. Em novembro de 2010, Emílio integrava o Comando Vermelho e foi um dos traficantes que escaparam da megaoperação das forças de segurança realizada na Vila Cruzeiro, no Rio de Janeiro, há cerca de 15 anos.
Ele ganhou o apelido de Cigarreira por ter iniciado sua trajetória criminosa como contrabandista e falsificador de cigarros. Posteriormente, passou a atuar no tráfico de armas e drogas. Após fugir do Rio de Janeiro, mudou-se para São Paulo, onde foi acolhido por Anselmo Santa Fausta. Os dois se tornaram parceiros no crime e, por confiar em Anselmo, Emílio também passou a investir dinheiro com Gritzbach.

Assim como outros criminosos, Cigarreira teve prejuízo financeiro significativo e, segundo as investigações, teria motivos para ordenar a execução de Gritzbach tanto por vingança pela morte do amigo quanto pela perda de dinheiro.
Em entrevista exibida pelo SBT em novembro de 2025, a diretora do Departamento de Homicídios, Ivalda Aleixo, afirmou que a execução de Gritzbach teve motivações de vingança pessoal. “Sem contar que o próprio Cigarreira também perdeu dinheiro. Então tem tudo isso: ele também queria o dinheiro dele de volta”, declarou.

Ivalda Aleixo afirmou ainda que, na semana da execução, Cigarreira estava em São Paulo. “Durante a investigação, chegamos a um depósito que pertencia ao Cigarreira e, pelo que constatamos, ele morava ali. No dia 7, eles ainda estavam lá”, disse.
Na véspera do crime, Cigarreira teria fretado um avião no aeroporto de Jundiaí, no interior de São Paulo, e retornado ao Rio de Janeiro, onde ficou escondido sob proteção do Comando Vermelho. Segundo a polícia paulista, posteriormente ele deixou o Brasil com destino ao Suriname.
A investigação revelou que, no total, 15 policiais militares se revezavam para prestar serviço de segurança para o Gritzbach, o que é ilegal. Entre eles, dois oficiais.
A Justiça Militar do Estado de São Paulo condenou 11 dos 15 policiais militares envolvidos na morte de Gritzbach. Os 11 policiais foram condenados por integrar uma organização criminosa armada. As penas variam de cinco anos e três meses até sete anos e cinco meses, em regime inicial semiaberto. Outros quatro réus foram absolvidos.
Ao todo seis pessoas foram indiciadas por envolvimento no assassinato, entre elas policiais militares.
Veja quem foi indiciado:
- Emílio Carlos Gongorra Castilho (o Cigarreira): líder do PCC e mandante do crime
- Diego dos Santos Amaral (o Didi): líder do PCC e mandante do crime
- Kauê do Amaral Coelho: informante, monitorou o delator e avisou os executores
- Fernando Genauro: policial militar e executor do crime
- Denis Antonio Martins: policial militar e executor do crime
- Ruan Silva Rodrigues: policial militar e executor do crime
Os três primeiros estão foragidos. Os policiais estão presos no Presídio Militar Romão Gomes. Mais duas pessoas foram indiciadas por ajudarem os criminosos na fuga.
Por que o ex-delegado Ruy Ferraz foi morto?

O crime que chocou todo o país foi a execução de um dos maiores inimigos da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital). Ruy Ferraz Fontes, de 64 anos, foi morto em 15 de setembro de 2025, em uma emboscada na cidade de Praia Grande, no litoral de São Paulo. O ataque ocorreu após uma perseguição em alta velocidade e o capotamento do carro do ex-delegado; em seguida, os criminosos efetuaram 12 disparos de fuzil.

Ex-delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Fontes era secretário de Governo do município no litoral paulista e considerado um dos maiores especialistas do Brasil no combate ao PCC. Após a execução, os veículos utilizados pelos criminosos, que eram roubados, foram abandonados, e um deles foi incendiado na tentativa de apagar vestígios.
Veja a cronologia do crime:
Segundo o Ministério Público de São Paulo (MPSP), a morte do ex-delegado foi encomendada pelo alto escalão do PCC como um ato de vingança. De acordo com o MPSP e a Polícia Civil, a facção determinou a eliminação de Ruy em razão de sua atuação no enfrentamento ao grupo criminoso ao longo de mais de 40 anos de carreira.
A investigação aponta que o planejamento do crime começou em março de 2025 e envolveu o roubo de veículos, a compra de armas e a definição de imóveis usados como base de apoio. Até o momento, foram identificados oito participantes diretos na teia criminosa.

Veja quem são os oitos envolvidos na execução:
Marcos Augusto Rodrigues Cardoso
Marcos Augusto, de 36 anos, foi detido no Grajaú, na Zona Sul da capital paulista. Apelidado de Fiel, Pan e Penélope Charmosa, é apontado pelos investigadores como membro do PCC em São Paulo e possivelmente um dos ocupantes do veículo Logan branco que participou da perseguição ao ex-delegado-geral na noite do assassinato.
Fiel enfrenta acusações de ser o recrutador e organizador central do grupo envolvido no crime e teria sido o responsável por chamar os executores para atirarem contra Ruy Ferraz.

Paulo Henrique Caetano de Sales
Paulo Henrique, de 38 anos, é proprietário de uma das quatro casas de Praia Grande utilizadas pelos criminosos que executaram Ruy Ferraz, segundo o Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP).

Felipe Avelino da Silva
Felipe Avelino da Silva, o Mascherano, escolheu o caminho mais minimalista da defesa: o silêncio absoluto. Quando interrogado pela Polícia Civil, em 7 de novembro de 2025, sua resposta foi cifrada em poucas palavras: “Deseja permanecer em silêncio”.
Apesar disso, seu DNA foi encontrado em um dos carros usados no crime. Ele foi preso em Cotia, no dia 6 de outubro. Durante o interrogatório, preferiu não se manifestar, mas a esposa afirmou que ele confessou participação no crime, deixando um veículo preparado para a fuga.

Cristiano Alves da Silva
Cristiano Alves da Silva (Cris Brow), de 36 anos, negou qualquer ligação com a execução e afirmou que atuava apenas como proprietário de imóveis para aluguel por temporada, sustentando que os contatos com investigados eram meramente comerciais.

Flávio Henrique Ferreira de Souza
Para o Ministério Público e a Polícia Civil, Flávio Henrique Ferreira de Souza, o Neno, é uma peça importante na engrenagem criminosa que matou o ex-delegado-geral Ruy Ferraz Fontes. Ele é procurado pela Justiça.
A perícia encontrou a impressão digital de Neno no Jeep Renegade usado na execução de Fontes. Apesar disso, a família apresentou um álibi, alegando que ele estaria a dezenas de quilômetros do local minutos após o atentado. Neno nunca se apresentou à polícia e é considerado foragido da Justiça.

Luiz Antonio Rodrigues de Miranda
Luiz Antonio Rodrigues de Miranda, o Gão, também está foragido e é apontado como responsável pela logística das armas usadas na execução, com testemunhas que o colocam em diálogos decisórios do plano.
Com a prisão temporária e, posteriormente, a preventiva decretadas pela Justiça, Gão segue foragido. Para o Ministério Público e a Polícia Civil, ele não é um mero soldado raso: é apontado como um articulador logístico, um elo de conexão que ajudou a tirar o plano de morte do papel e levá-lo às ruas de Praia Grande.

Willian Silva Marques
Willian Silva Marques é proprietário de um dos imóveis usados como base logística pela célula criminosa do PCC que matou o ex-delegado Ruy Ferraz Fontes, segundo a investigação. Trata-se de uma casa de veraneio em Praia Grande, na rua Campos do Jordão.
Willian afirmou que alugava a propriedade havia mais de cinco anos, sem registros de irregularidades. Seu padrão era simples: locações verbais para conhecidos ou pessoas indicadas, entrega das chaves por motoboy, sem contratos formais nem investigação prévia dos locatários. No dia 28 de agosto, recebeu um contato telefônico de Gão, conhecido do bairro. Ficou acertado um aluguel de três dias, de 14 a 16 de setembro, pelo valor de R$ 1.000, metade via PIX e metade em dinheiro.
Apontado como dono de uma das casas usadas como base logística, Willian declarou que apenas alugou o imóvel, sem conhecimento do plano criminoso.

Dahesly Oliveira Pires
Dahesly Oliveira Pires confessou a prática de atos criminosos, mas alegou ter agido sob coação e sem pleno conhecimento do contexto criminoso em que foi envolvida. Ela assumiu ter transportado as armas usadas no ataque, afirmando, contudo, que o fez por pressão financeira e por desconhecer a dimensão do plano.
Segundo seu relato, Gão teria oferecido um “serviço” que abateria uma dívida de R$ 5.000 que Dahesly possuía.

Desdobramentos
Três pessoas foram presas na manhã de 13 de janeiro de 2026 pelo assassinato do ex-delegado Ruy Ferraz. Segundo a investigação, trata-se de assaltantes de banco que haviam sido detidos por ele em 2005. As prisões ocorreram em Santos, no litoral paulista, e em Jundiaí, no interior do estado.
Os detidos são Fernando Alberto Ribeiro Teixeira, conhecido como Azul ou Careca; Márcio Serapião de Oliveira, o Velhote; e Manuel Alberto Ribeiro Teixeira, apelidado de Manezinho. De acordo com a polícia, os três atuaram no planejamento, na organização e na logística do assassinato. Todos já tiveram passagens pela prisão, com histórico de envolvimento em roubos a bancos, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.

Fernando Ribeiro Teixeira, o Azul ou Careca, foi preso e condenado por invasões a delegacias, roubos a bancos e sequestro. Em 2006, comandou uma rebelião no presídio de Juqueirópolis (SP) e deixou o sistema prisional em maio de 2024.
Manuel Ribeiro Teixeira, o Manezinho, é irmão de Fernando. Ele soma nove condenações, que totalizam 51 anos de prisão, e passou 13 anos encarcerado até ser solto em 2023.
Já Márcio Serapião de Oliveira, o Velhote, está no crime desde 1994, com envolvimento em tráfico de drogas, sequestros e roubos. O total das penas chega a 25 anos de prisão. Ele estava em regime aberto desde 2014.
Polícia busca quarto suspeito
Além dos três presos, a polícia acredita que um quarto integrante do PCC participou da organização do crime: Pedro Luiz da Silva Moraes, o Chacal.
Chacal tem 54 anos e passou 35 deles no sistema prisional. Ele estava no complexo do Carandiru durante o massacre de 1992. Sua ficha criminal inclui diversas tentativas de fuga e a organização de rebeliões em presídios. Ele está fora da cadeia desde 2024.
Segundo os investigadores, Chacal é um dos responsáveis pelo planejamento da execução de Ruy Ferraz Fontes. A informação mais recente da polícia aponta que ele estaria na Bolívia.
Chacal foi um dos chefes do PCC transferidos para presídios federais em 2019, por determinação de Ruy Ferraz.

O informante que virou alvo do PCC
Roberto Hipólito Rutkauskas, conhecido como Zóio de Gato, era um informante policial de 29 anos que acabou sendo vítima do Tribunal do Crime do PCC após desafiar integrantes da facção em Guarulhos. Dias antes de ser morto, ele discutiu com membros do grupo na frente de um bar e um vídeo dessa afronta viralizou entre criminosos, que o marcaram para morrer.
Veja o vídeo:
Numa noite em que voltava para casa com a família, Roberto foi seguido por um veículo suspeito e forçado a parar na Rodovia Presidente Dutra, onde foi rendido e levado à força. Ele acabou executado pela facção em um local conhecido como Favela da Funerária, na zona norte de São Paulo.

Segundo a apuração feita pela reportagem do iG em 2025, Roberto atuava como informante, inclusive vendendo informações e recebendo pagamentos, e era visto pelo PCC como traidor. O caso ganhou destaque para as autoridades após a divulgação de vídeos que facilitaram a identificação de suspeitos e impulsionaram a investigação policial.
Enfrentamento às facções criminosas
Ygor Daniel Zago e a esposa, Fernanda Ferrari Zago, foram presos em novembro do ano passado, em Portugal. Segundo investigação da Polícia Federal (PF), Ygor Daniel, conhecido como “Hulk”, era responsável por um esquema de adulteração de combustíveis organizado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC). Ele também seria o responsável por escolher quais agentes públicos seriam subornados.
Ainda de acordo com as investigações, Hulk pagava “mesadas” a policiais militares, policiais civis, investigadores e outras pessoas beneficiadas pelo esquema. O casal vivia em uma casa de luxo em Cascais, na região metropolitana de Lisboa.
Segundo o Ministério Público de São Paulo, Hulk é apontado como um dos chefes do PCC. Ele estaria envolvido na adulteração de gasolina, na qual os criminosos adicionavam metanol ao combustível, uma substância corrosiva e altamente tóxica.
Além de ter um mandado de prisão expedido pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), Hulk estava incluído na lista vermelha da Polícia Internacional (Interpol).

A investigação também indicou que Hulk decidia sobre a adulteração dos combustíveis, as fraudes nas bombas e a escolha de agentes públicos a serem corrompidos. Ele ainda era responsável por contatar fornecedores de metanol e gerir financeiramente o esquema da facção. Além do metanol, água também era utilizada na adulteração dos combustíveis.
Hulk e a esposa utilizaram documentos falsos para deixar o Brasil. Eles passaram pelo Peru, entraram na Europa pela Itália e, posteriormente, se estabeleceram em Portugal.
Hulk foi alvo da megaoperação realizada pelas autoridades brasileiras contra o sistema de lavagem de dinheiro do PCC, batizada de Operação Carbono Oculto, que envolvia postos de combustíveis. Ele também já havia sido condenado pela Justiça Federal a 29 anos de prisão por tráfico internacional de drogas.
Em 2021, Hulk e a esposa já haviam sido presos durante uma operação contra o narcotráfico em Guarujá, no litoral de São Paulo.
Atualmente, o casal permanece preso em Portugal, enquanto aguarda o andamento do processo de extradição para o Brasil.
Operação Contenção
Uma das últimas ações da polícia contra facções criminosas foi a megaoperação policial contra o Comando Vermelho realizada no Rio de Janeiro, que deixou mais de 120 mortos. Com esse número de vítimas, a ação superou o massacre do Carandiru e tornou-se a ação policial mais letal da história do Brasil. A Operação Contenção foi iniciada em 28 de outubro de 2025 pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro.
Cerca de 2.500 agentes de segurança participaram da ação, que cumpriu aproximadamente 100 mandados de prisão em 26 comunidades da Zona Norte da capital, com foco nos complexos da Penha e do Alemão. Criminosos incendiaram barricadas e utilizaram explosivos lançados por drones contra equipes das forças especiais.

A operação resultou na apreensão de mais de uma tonelada de drogas e 118 armas, entre elas 93 fuzis. Ao todo, 121 pessoas morreram. Antes mesmo da identificação dos corpos, o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), afirmou que todos os mortos eram criminosos e classificou a ação como “um sucesso”.
Segundo as autoridades, 108 tinham ligação comprovada com o Comando Vermelho; 97 possuíam antecedentes criminais relevantes e 59 tinham mandados de prisão em aberto. Apesar do balanço apresentado, a operação não resultou na prisão de Edgard Alves de Andrade, o Doca, apontado como um dos principais líderes da facção e considerado o alvo central da ofensiva. De acordo com as investigações, ele conseguiu escapar com o apoio de cerca de 70 criminosos.
Durante a operação, três policiais civis e dois policiais militares foram mortos. Outros 15 policiais ficaram feridos, dois deles em estado grave. Um dos feridos, o delegado-adjunto da Delegacia de Repressão a Entorpecentes, Eduardo Leal, precisou ter uma perna amputada após ser baleado na coxa.
Os policiais mortos foram: Rodrigo Velloso Cabral (34 anos, inspetor da Polícia Civil), Marcus Vinícius Cardoso de Carvalho (51 anos, policial civil), Rodrigo Vasconcellos Nascimento (policial civil), o sargento do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) Cleiton Serafim Gonçalves (42 anos) e o também sargento do Bope Heber Carvalho da Fonseca (39 anos).
