Empresa cria biobanco para espécies ameaçadas de extinção

Cientistas da Colossal Bioscience trabalham para reviver animais extintos; Lobo-terrível é um deles (Foto: Colossal Bioscience/Divulgação)

A Colossal Biosciences, uma empresa de biotecnologia e engenharia genética que trabalha para ressuscitar vários animais extintos, anunciou a criação de um biobanco para espécies ameaçadas de extinção nos Emirados Árabes Unidos (EAU). As informações são da CNN.

Localizado dentro do Museu do Futuro de Dubai, o biobanco armazenará milhões de tecidos congelados e outras amostras de 10.000 espécies, incluindo as 100 mais ameaçadas globalmente e nos Emirados Árabes Unidos, de acordo com a empresa.

O parâmetro utilizado para se identificar quais espécies mais correm risco de extinção no mundo é feito pela Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). Criada em 1964, ela é a fonte de informação mais abrangente do mundo sobre o risco global de extinção de espécies animais, fúngicas e vegetais.

Atualmente, estima-se que, dentre 172.600 espécies avaliadas pela organização, 48.000 estejam ameaçadas de extinção.

Em abril passado, a empresa anunciou ter “ressuscitado” o lobo-terrível extinto, criando três lobos, usando DNA antigo, clonagem e tecnologia de edição genética para alterar os genes de um lobo-cinzento.

Lobo cinzentoAlan Watt

Porém, especialistas indicam que a criação idêntica ao da espécie já extinta é impossível, fazendo com que a união entre outros tipos de espécie — neste caso lobos — fará com que o resultado seja semelhante e não perfeitamente similar.

A empresa, que tem sede em Dallas, nos Estados Unidos, afirma que adotará uma abordagem dupla para as amostras de seu biobanco nos Emirados Árabes Unidos, utilizando-as tanto para pesquisas sobre espécies ameaçadas de extinção quanto como forma de trazer espécies de volta à vida, caso venham a ser extintas.

Mundo possui projetos igualmente inovadores

Por mais grandioso e atrativo que o projeto da Colossal Biosciences possa ser, esta não é a única instalação que busca “reviver” espécies já extintas no mundo.

O Instituto de Pesquisa para a Conservação do Zoológico de San Diego abriga um “Zoológico Congelado” com mais 1.300 espécies e subespécies. Desde sua fundação em 1975, a genética progrediu significativamente. Clones de quatro espécies ameaçadas de extinção foram criados a partir de material genético preservado nas instalações.

Outros projetos contêm milhares de amostras de DNA animal, com diversas aplicações científicas para células vivas. A Frozen Ark, uma organização beneficente, reuniu 48.000 amostras, principalmente de DNA, incluindo de leopardo-das-neves e órix-cimitarra (uma espécie extinta na natureza), em vários locais no Reino Unido.

A presença do biobanco da Colossal Biosciences nos Emirados Árabes Unidos é fruto de um investimento maciço feito pelo país asiático. Recentemente, os árabes, segundo a apuração da CNN, investiram US$ 60 milhões na Colossal, que arrecadou US$ 615 milhões desde sua fundação em 2021.

A ameaça de extinção também chega com força no Brasil. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou, em 2020, que 3199 espécies da fauna e flora brasileira estão ameaçadas de extinção. Isso corresponde a 19,8% do total de 16.645 espécies avaliadas pelo instituto. Porém, os números podem ser ainda maiores, visto que há animais e plantas ainda não oficialmente reconhecidos.

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