Ao menos 10 vítimas são confirmadas em caso de piloto preso em SP

Polícia Civil cumpriu mandados e apreendeu materiais usados na investigação do casoDivulgação/Governo de São Paulo

Ao menos dez crianças e adolescentes vítimas de exploração sexual foram identificadas em uma investigação da Polícia Civil de São Paulo que resultou na prisão de três pessoas, entre elas um piloto de avião de 60 anos, indicado como chefe do esquema.

A ação, batizada de Operação Apertem os Cintos, ocorreu nesta segunda-feira (09), na capital paulista, no Aeroporto de Congonhas e em Guararema, na região metropolitana, e apura crimes ligados à produção, ao armazenamento e à venda de imagens de abuso sexual envolvendo menores

Segundo as investigações, as vítimas identificadas até o momento tinham 10, 12 e 14 anos na época dos crimes. Há relatos de abusos iniciados quando uma das vítimas tinha 8 anos. Uma das jovens completou 18 anos recentemente, mas afirmou que os crimes ocorreram durante a infância e a adolescência. A polícia também apura se outras crianças e adolescentes foram submetidos à exploração.

As apurações indicam a atuação de uma organização criminosa, com divisão de tarefas entre os envolvidos e repetição das práticas ao longo do tempo. De acordo com a Polícia Civil, o esquema funcionava principalmente por meio de troca de mensagens e envio de imagens por aplicativos de celular.

Segundo a Polícia Civil, o piloto pagava entre R$ 50 e R$ 100 por material de pornografia infantil. Os pagamentos eram feitos, em sua maioria, por transferências instantâneas. Em alguns casos, o investigado também custeava despesas das famílias, como medicamentos, aluguel e a compra de bens domésticos.

Família envolvida

No esquema, outras duas mulheres presas teriam participação direta, a avó de três crianças e a mãe, ambas suspeitas de vender ou guardar imagens dos próprios filhos, ou netos. Assim, além do piloto, a avó das crianças foi presa temporariamente.

Já a mãe foi detida em flagrante após os investigadores encontrarem, na casa dela, material armazenado e transmitido. A polícia afirma que a mãe tinha conhecimento do que ocorria e permitia a prática dos crimes.

Ele [piloto] e a avó estão em prisão temporária. A nossa surpresa foi a outra vítima. Descobrimos na casa desta mãe que ela também sabia o que estava acontecendo. A mãe está sendo presa em flagrante por armazenar e transmitir esse material”, afirmou a delegada Ivalda Aleixo, chefe do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP).

O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Nico Gonçalves, destacou o tempo de apuração do caso e a gravidade do conteúdo apreendido. “Foi um trabalho de meses de investigação que conseguimos esclarecer. As imagens que temos são de outro mundo, não esperamos isso de um ser humano. O trabalho da equipe da doutora Ivalda foi excepcional e resultou na prisão do piloto e de mais duas pessoas”, disse.

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Crimes investigados

A Polícia Civil investiga crimes como estupro de vulnerável, favorecimento da prostituição e da exploração sexual de crianças e adolescentes, produção, armazenamento e compartilhamento de pornografia infantojuvenil, uso de documento falso, perseguição reiterada, aliciamento de menores e coação no curso do processo. 

Há indícios de que o material também possa ter sido compartilhado com terceiros, o que ainda será apurado.

Ao todo, a operação cumpre oito mandados de busca e apreensão contra quatro investigados e dois mandados de prisão temporária, com a participação de 32 policiais civis e 14 viaturas.

A operação incluiu ações da polícia no Aeroporto de Congonhas, onde o piloto foi preso dentro da cabine do avião antes da decolagem. Mandados também foram cumpridos em imóveis ligados aos investigados, com apreensão de dispositivos eletrônicos.

O delegado-geral da Polícia Civil, Artur Dian, afirmou que o esquema começou a ser investigado em outubro de 2025.

É um crime muito grave que começou em outubro do ano passado e hoje conseguimos deflagrá-lo e prender os criminosos. São fatos estarrecedores que conseguimos tirar de circulação”, afirmou Dian.

As investigações continuam, com apreensão de celulares e análise do material recolhido. A polícia apura a existência de outras vítimas, inclusive fora do estado de São Paulo. Os presos permanecem à disposição da Justiça.

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