Câmara aprova incentivo fiscal para indústria química durante transição tributária

CAMARA APROVA INCENTIVO PARA A INDUSTRIA QUIMICA

A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (10) o Projeto de Lei Complementar (PLP) 14/26, que cria um incentivo fiscal para indústria química e petroquímica durante a fase de transição para o novo regime tributário previsto para entrar em vigor em 2027. O texto segue agora para análise do Senado.

De autoria do deputado Carlos Zarattini (PT-SP) e relatado pelo deputado Afonso Motta (PDT-RS), a proposta estabelece alíquotas reduzidas de PIS e Cofins para empresas participantes do Regime Especial da Indústria Química (Reiq), que será extinto ao final de 2026.

Segundo Zarattini, o projeto tem impacto mais amplo que um único segmento.

Este projeto é fundamental para o desenvolvimento industrial do nosso país”, afirmou durante a votação.

Incentivo fiscal para indústria química: redução temporária de PIS e Cofins

O incentivo fiscal para indústria química valerá entre março e dezembro de 2026, com as seguintes alíquotas:

  • PIS: 0,62%

  • Cofins: 2,83%

As taxas incidirão tanto sobre a compra interna quanto sobre a importação de insumos, incluindo nafta petroquímica, parafina e outros produtos químicos utilizados como matéria-prima pela indústria de base.

A medida substitui percentuais anteriormente vetados pelo governo federal por falta de estimativa de impacto orçamentário.

Limite de renúncia fiscal

O projeto limita a renúncia fiscal em 2026 a R$ 2 bilhões, além de prever R$ 1,1 bilhão em créditos tributários adicionais às empresas participantes do regime.

Os benefícios poderão ser encerrados caso o Poder Executivo comprove o atingimento do teto estabelecido.

O texto também dispensa algumas exigências incluídas recentemente na Lei de Responsabilidade Fiscal e na Lei de Diretrizes Orçamentárias, como:

  • estimativa do número de beneficiários;

  • metas econômicas, sociais e ambientais;

  • mecanismos formais de monitoramento.

Previsibilidade regulatória e competitividade

O relator Afonso Motta afirmou que a proposta tem caráter transitório e busca evitar ruptura abrupta de política pública já existente.

A redução temporária do custo tributário dos insumos contribui para mitigar perdas de competitividade no curto prazo, sem criar benefício permanente”, declarou.

Incentivo fiscal para indústria química e o peso econômico do setor 

A indústria química responde por cerca de 11% do PIB industrial brasileiro e é o terceiro setor que mais arrecada tributos, com aproximadamente R$ 40 bilhões por ano, segundo dados citados pelo relator.

Apesar disso, o segmento enfrenta pressão das importações. O déficit da balança comercial de produtos químicos atingiu US$ 44,1 bilhões em 2025, evidenciando a dependência externa de insumos.

A expectativa de parlamentares favoráveis ao projeto é que o incentivo fiscal para indústria química reduza custos de produção e preserve a competitividade do setor durante a adaptação ao novo modelo tributário.

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