
A Polícia Federal deflagrou, nesta quarta-feira (11), a terceira fase da Operação Barco de Papel e recuperou dinheiro em espécie após uma tentativa de ocultação de provas em Balneário Camboriú, no litoral de Santa Catarina. Durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão, um dos ocupantes do imóvel arremessou pela janela do apartamento uma mala com valores em dinheiro.
Suspeito arremessou uma mala com dinheiro pela janela ao ver a chegada da Polícia Federal durante a terceira fase da Operação Barco de Papel. O valor foi recuperado e carros de luxo também foram apreendidos. pic.twitter.com/17PTN7Gesc
— iG (@iG) February 11, 2026
O montante foi recolhido pelos agentes. Na ação, os policiais também apreenderam dois veículos de luxo e dois celulares. Outro mandado foi cumprido em Itapema, também no litoral de Santa Catarina, com apoio da Delegacia da Polícia Federal em Itajaí, cidade catarinense. As ordens judiciais foram expedidas pela 6ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro com base em indícios de obstrução das investigações e ocultação de provas.
Operação apura suspeitas envolvendo fundo previdenciário
A Operação Barco de Papel investiga possíveis irregularidades na aplicação de recursos ligados à empresa responsável pela gestão das aposentadorias e pensões dos servidores públicos do estado do Rio de Janeiro. Segundo a Polícia Federal, o inquérito apura um conjunto de operações financeiras realizadas entre novembro de 2023 e julho de 2024, que resultaram na aplicação de aproximadamente R$ 970 milhões em Letras Financeiras emitidas por banco privado. De acordo com as investigações, os investimentos teriam exposto o patrimônio previdenciário a riscos elevados e incompatíveis com a finalidade do fundo. A apuração teve início em novembro de 2025 e contou com apoio da Secretaria de Regime Próprio e Complementar do Ministério da Previdência Social, responsável por auditoria fiscal que impulsionou a investigação.
Nova fase busca recuperar valores e provas
Nesta etapa, a Polícia Federal busca localizar bens, valores e objetos que podem ter sido ocultados nas duas fases anteriores da operação. Os investigadores apuram suspeitas de obstrução de Justiça e tentativa de destruição ou ocultação de provas. Entre os crimes investigados estão gestão fraudulenta, desvio de recursos, fraude contra o sistema financeiro nacional, corrupção passiva, associação criminosa e obstrução de investigação.
Prisões já aconteceram nas fases anteriores
Na segunda fase da operação, realizada na terça-feira da semana passada (03), a Polícia Federal cumpriu três mandados de prisão temporária e nove mandados de busca e apreensão em endereços no Rio de Janeiro e em cidades do estado de Santa Catarina. O principal investigado foi preso pela Polícia Rodoviária Federal na Rodovia Presidente Dutra (BR-116), em Itatiaia, cidade do estado do Rio de Janeiro, enquanto viajava em um carro alugado. Inicialmente, outros dois alvos foram considerados foragidos, mas acabaram localizados e presos posteriormente por agentes federais em cidades catarinenses.

Já na primeira fase da operação, deflagrada na quinta-feira (23), a Polícia Federal cumpriu mandados de busca no Rio de Janeiro e reuniu provas sobre a suspeita de operações financeiras irregulares envolvendo recursos previdenciários. As investigações seguem em andamento para identificar responsabilidades e o destino dos valores movimentados.
