BR-101 é a mais letal e a que registra mais acidentes em 2025

Sigla ”BR” indica ser um trecho federal, seguida por três algarismos com significados distintosFoto: Isac Nóbrega/ Agência Brasil

Uma das principais artérias do País, a BR-101, fechou o ano de 2025 com cenário crítico para a segurança pública viária no Brasil. Dados do balanço de 2025 da Polícia Rodoviária Federal (PRF), apresentados em coletiva no Ministério da Justiça (MJSP), revelam que a rodovia concentra o maior número de sinistros e mortes. E mais, é hoje o principal corredor para o tráfico de armas e a circulação de veículos roubados.

Enquanto o Brasil registrou um total de 72.483 sinistros de trânsito em 2025, a BR-101 isolou-se no topo da lista com 13.009 ocorrências, superando significativamente a BR-116 (11.010) e a BR-040 (3.502). O impacto humano é alarmante: das 6.044 mortes registradas em rodovias federais no ano passado, 761 ocorreram na BR-101, consolidando como a rodovia mais letal do País.

Diretor geral da PRF, Fernando Oliveira, fala sobre atuação nas rodovias e divulga balanço de 2025Divulgação PRF

“Em questão de segurança viária a fiscalização não é o único eixo que dá o resultado de diminuição, é preciso também mudar o comportamento do cidadão“, alertou o diretor-geral da PRF, Fernando Oliveira, em coletiva nesta terça-feira (10).  

Estados cortados pela Rodovia Transcontinental como Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Rio de Janeiro figuram entre os cinco com maior índice de acidentes. Entre os principais tipos e causas de morte apontadas pela PRF estão a colisão frontal, seguido de atropelamento de pedestre, com 1.863 e 919 óbitos, respectivamente, e o ato de transitar na contramão e ausência de reação, com 958 e 855 óbitos, respectivamente.

Rota do Crime

Para além dos acidentes, uma das rodovias mais importantes e extensas do Brasil, a BR-101 destaca-se negativamente no mapa da criminalidade. No ano passado, a PRF recuperou 1.157 veículos apenas nesta rodovia, o que representa quase 15% de todos os 7.924 veículos recuperados em território nacional no período. 

O combate ao poder bélico das organizações criminosas também teve nesta rodovia o seu maior campo de batalha. A rodovia liderou o ranking nacional de apreensão de armas de fogo, com 157 unidades retiradas de circulação, “causando prejuízo significativo ao crime”, afirma o diretor-geral da PRF. Já no que diz respeito a munições, o trecho ocupou a segunda posição no País, com 8.109 unidades apreendidas, ficando atrás apenas da BR-070.

Acidente na BR-101 na BahiaLenio Cidreira/Liberdade News

E não para por aí. No que diz respeito ao tráfico de drogas, segundo o Oliveira, houve uma mudança na estratégia pelo crime no transporte da cocaína, indicando que as rodovias não são mais ponto principal de escoamento e distribuição, mas mesmo assim, a BR 101 permanece como rota estratégica para o escoamento de entorpecentes. Em 2025, foram 3 toneladas confiscadas desta droga, colocando esta rodovia na 4ª posição no ranking de apreensões da droga. Em todo território nacional, houve apreensão de 44,3 toneladas de cocaína e 719 toneladas de maconha ao longo do ano passado.

Panorama da fiscalização

O esforço para conter esses números envolveu uma fiscalização intensa. Em todo país a PRF abordou 5,48 milhões de pessoas e realizou 3,58 milhões de bafômetros, resultando em 51.025 autos de infração por dirigir sob efeito de álcool. Na esfera criminal, 41.396 pessoas foram detidas, sendo o tráfico de drogas e o cumprimento de mandados de prisão, as principais causas.

Os crimes contra as mulheres receberão atenção especial e já demandam esforços direcionados, é o que afirma o diretor da PRF. “Pela primeira vez fizemos uma operação voltada para o combate específico de crimes contra a mulher e conseguimos apreender em 10 dias de operação, o cumprimento de 80 mandatos”, afirmou Fernando Oliveira que completou afirmando que esse “braço” de atuação é “algo que vai fazer parte esse ano no calendário da PRF”.

O cenário desenhado pelos dados de 2025 reforça a urgência de intervenções específicas, onde o desafio de preservar vidas se mistura diariamente com o combate direto ao crime organizado. Diante disso, há cerca de duas semanas as duas frentes policiais federais, PRF e PF, assinaram um protocolo que tem como objetivo unir as forças e integrá-las no combate ao crime, não mais atuando de forma isolada.

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