Fictor e a CPMI do INSS: rede wi-fi liga mansão em Brasília a reuniões políticas

FICTOR

Um detalhe aparentemente trivial ajudou a conectar uma luxuosa residência no Lago Sul, em Brasília, a Fictor: a rede de internet do imóvel.

Segundo reportagem do Estadão, a rede identificada como “Piscina Fictor”, foi a conexão que expôs a relação direta entre a casa e a empresa de investimentos Fictor, apesar de negativas iniciais sobre a utilização do local pelo grupo.

A residência, de cerca de 500 metros quadrados, foi alugada pelo ex-sócio da companhia Luiz Philippe Rubini até dezembro de 2025. O portão chegou a ser pintado na cor verde, utilizada na identidade visual da empresa, e o imóvel passou a ser frequentado por investidores, consultores e agentes políticos.

Banco Master, Fictor e a CPMI do INSS

Até 2025, a Fictor era pouco conhecida fora do mercado financeiro, tendo aparecido pontualmente ao patrocinar o Palmeiras. A companhia ganhou projeção nacional quando anunciou um acordo para compra do Banco Master em consórcio com investidores estrangeiros não identificados.

No dia seguinte ao anúncio, porém, o Banco Central decretou a liquidação da instituição financeira e o proprietário do banco foi preso pela Polícia Federal. A partir daí, a atuação e as conexões da Fictor passaram a ser investigadas.

Mansão virou ponto de aproximação política

Segundo relatos apurados pelo reportagem, a casa no Lago Sul era usada para reuniões de relacionamento institucional em Brasília, entre os frequentadores estiveram autoridades e figuras políticas, como o diretor-geral de Itaipu, Ênio Verri, a então presidente do PT, Gleisi Hoffmann, e o então ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha.

O consultor Felipe Alcântara, ligado à Fictor, afirmou ter utilizado o imóvel para aproximar a empresa de agentes públicos e potenciais clientes.

Tentativa de negócio com Itaipu: o objetivo central

Um dos objetivos dessas articulações teria sido abrir espaço para negócios com a hidrelétrica de Itaipu. A ideia da aproximação, envolvia o gerenciamento os recursos da hidrelétrica, que poderiam chegar a cerca de R$ 1 bilhão.

A negociação não avançou porque o regulamento da estatal limita a aplicação desses recursos a bancos públicos. Ainda assim, reuniões técnicas chegaram a ocorrer e dirigentes ligados à usina participaram de encontros no imóvel.

Fictor e CPMI do INSS

A casa também foi palco de uma reunião relacionada à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, que investiga fraudes bilionárias em descontos aplicados a aposentados.

No encontro, segundo a reportagem, o ex-policial civil, Rogério Giglio, que havia gravado o advogado Eli Cohen, um dos denunciantes do esquema, apresentou material ao deputado federal Paulo Pimenta (PT). Posteriormente, o próprio ex-policial se retratou em cartório e afirmou que o conteúdo era falso e teria sido produzido sob orientação e promessa de pagamento por pessoas ligadas à empresa.

O parlamentar confirmou ter participado da reunião, mas declarou não saber que o imóvel estava vinculado à Fictor e afirmou que a gravação não tinha valor jurídico sem depoimento formal às autoridades.

Possíveis implicações institucionais

O episódio levou a suspeitas de tentativa de influenciar o andamento da comissão parlamentar por meio da produção de material contra uma testemunha. O advogado alvo da gravação afirmou que, se confirmadas as narrativas, haveria tentativa de obstrução de Justiça e fabricação de versões para desacreditar denúncias envolvendo fraudes contra aposentados.

Até o momento, os citados negam participação irregular e a investigação ainda está em curso.

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