
Não faz nem meia hora que abrimos o champanhe da meia-noite entre 31 de dezembro de 2025 e janeiro de 2026 e já estamos agora em outra contagem regressiva, agora para o Carnaval.
Sim, você piscou o olho e ele agora está coberto de glitter – mesmo para quem não está disposto a cair na folia, não tem muito como não ser afetado por ela, seja pela programação da TV, os destaques dos portais, as fantasias das redes sociais, o trânsito na estrada ou a aglomeração na porta de casa.
Neste ano a festa começa logo no início de fevereiro, o que reforçou a sensação de compasso de espera em muita gente que passou as últimas semanas repetindo que o ano, de fato, só começa depois do Carnaval.
Pode até ser, mas Donald Trump não teve sequer a fineza de esperar a quarta de cinzas para tirar Nicolas Maduro do palácio, na Venezuela, e levá-lo, junto da esposa, para julgamento nos Estados Unidos. Parece que foi há dez anos, né? Pois foi outro dia, e as consequências estão aí – sem o combustível do país aliado, Cuba sofre chances reais de sofrer um grande apagão até a asfixia.
Por aqui, a eleição de 2026 já começou faz tempo. Tem candidato na pista, tem Gilberto Kassab papando todos os peões remanescentes do PSDB, levando Ronaldo Caiado para o próprio barco, testando o balão de ensaio de Ratinho Jr. e forçando Flávio Bolsonaro a jogar pesado para não ter furo no tanque de gasolina da direita na campanha. Nem que para isso precise apoiar Sergio Moro como governador do Paraná e dinamitar o palanque do possível rival no berço da Lava Jato. Isso se Michelle Bolsonaro, contrariada com a bota em Tarcísio, na corrida ao Planalto, e Carol de Toni, ao Senado por Santa Catarina, não implodir tudo antes.
E tem o banco Master, que colocou o STF em polvorosa depois das revelações de que o relator do caso na corte pode ter mais relações com os investigados do que sugere o bom senso (e a lei).
Daniel Vorcaro, fundador do banco, tem até data marcada para falar no Congresso sobre o que sabe e o que não sabe do caso. Mas não agora, só depois do Carnaval, que esvaziou Brasília desde o início da semana.
Pois é, o ano começou há anos e não começou pouco. Já podemos pedir pausa, sim.
Tem muita bomba para estourar daqui em diante em ano eleitoral. Mas falamos disso depois do Carnaval.
*Este texto não reflete necessariamente a opinião do Portal iG
