Fraudes digitais no Carnaval: especialistas explicam por que golpes aumentam durante a folia

FRUADES DIGITAIS NO CARNAVAL

Com o Carnaval em pleno andamento pelo país, autoridades e empresas de tecnologia reforçam um alerta importante: o aumento de fraudes digitais no Carnaval. O período, marcado por viagens, compras de última hora, reservas e pagamentos instantâneos, cria um ambiente favorável para golpes cada vez mais sofisticados.

O problema não está apenas no maior volume de acessos. Segundo José Oliveira, CTO da Certta, hub de verificação inteligente, o risco cresce porque há uma combinação específica de fatores comportamentais e tecnológicos.

Datas festivas concentram três variáveis críticas: aumento de volume transacional, alteração de comportamento e maior carga emocional. Esse tripé cria um ambiente ideal para exploração de vulnerabilidades”, afirma.

A lógica é simples: fora da rotina, sob pressão e em decisões rápidas, usuários ficam mais suscetíveis à engenharia social, técnica em que criminosos manipulam a vítima para obter dados ou autorizações financeiras.

Fraudes digitais no Carnaval: emoção, pressa e decisões automáticas

Viagens de última hora, ingressos escassos, promoções relâmpago e cobranças urgentes fazem com que muitas pessoas ajam sem verificar informações. O problema é amplificado pelo comportamento humano em situações de estresse.

Estudos indicam que, sob pressão, a maioria das decisões ocorre em modo automático.

Eventos como Carnaval, grandes shows ou compras de fim de ano criam um ambiente perfeito para engenharia social: ofertas limitadas, mensagens urgentes e pedidos de confirmação imediata”, explica Oliveira.

Além disso, os picos de acesso também pressionam as estruturas tecnológicas das empresas.

Se a arquitetura de segurança não for inteligente, esses momentos de alta demanda podem gerar brechas. O risco cresce justamente quando comportamento, contexto e escala mudam ao mesmo tempo”, diz.

Não por acaso, o fenômeno se repete em outras datas de grande movimentação, como Black Friday, Natal e grandes eventos esportivos.

O crime digital virou um negócio

Outro fator que explica o avanço das fraudes digitais no Carnaval é a profissionalização do crime virtual. O que antes era atividade isolada hoje opera como uma indústria organizada.

Estamos diante de uma industrialização da fraude. O conceito de Fraud as a Service mostra que o crime deixou de ser artesanal e passou a operar como modelo de negócio escalável, com kits prontos e divisão de funções”, afirma o executivo.

A inteligência artificial acelerou esse processo. Ferramentas de geração de voz, imagem e vídeo já permitem golpes mais realistas, incluindo simulações de chamadas e mensagens personalizadas.

Ferramentas antes restritas a grandes estruturas hoje estão amplamente acessíveis, permitindo ataques mais realistas e personalizados, como deepfakes em chamadas de voz e vídeo”, explica.

O resultado é uma mudança estrutural no risco digital.

A fraude deixou de ser exceção estatística e passou a ser parte do ambiente online”, completa.

Limites da segurança tradicional

O aumento dos ataques também expôs a limitação de modelos antigos de proteção digital. Sistemas baseados apenas em regras fixas e validações padronizadas não conseguem acompanhar a velocidade das novas ameaças.

Modelos tradicionais funcionam em cenários previsíveis, mas o ambiente digital atual é marcado por variações constantes de comportamento e risco”, afirma Oliveira.

Segundo ele, isso gera um dilema: ou a empresa cria barreiras excessivas e prejudica o usuário, ou flexibiliza demais e aumenta a exposição a golpes.

Por isso, o mercado tem migrado para análises contextuais em tempo real.

O desafio contemporâneo exige decisões adaptativas. Em um mundo com milhares de jornadas digitais distintas, a fragmentação da segurança gera pontos cegos.

A nova lógica: confiança contínua

Nesse contexto, a identidade digital deixou de ser apenas cadastro e senha. Passou a considerar comportamento, histórico e padrão de uso.

A identidade digital hoje é um conjunto dinâmico de sinais comportamentais, contextuais e transacionais. Cada interação carrega um nível diferente de risco”, explica.

O objetivo é calibrar o nível de proteção conforme a situação.

A lógica deixa de ser ‘confie ou bloqueie’ e passa a ser ‘avalie continuamente’. É uma mudança de mentalidade: da autenticação pontual para a confiança contínua.”

Como equilibrar segurança e experiência

Um dos principais desafios para empresas é manter segurança sem prejudicar a experiência do cliente, especialmente em períodos de pico.

“A segurança não pode operar isoladamente. Precisa estar integrada à jornada e ser capaz de se reconfigurar dinamicamente”, afirma.

Entre os mecanismos utilizados estão autenticação multifator, biometria, validação documental e análise comportamental.

“Quando a arquitetura é inteligente, a segurança deixa de ser obstáculo e passa a atuar como elemento de resiliência.

Como evitar fraudes digitais no Carnaval

Especialistas destacam que prevenção depende tanto de tecnologia quanto de comportamento.

Para consumidores

  • Fazer uma pausa antes de autorizar pagamentos urgentes;

  • Confirmar cobranças em canais oficiais;

  • Evitar redes Wi-Fi públicas para transações financeiras;

  • Desconfiar de ofertas muito abaixo do mercado;

  • Ativar autenticação multifator;

  • Proteger o celular em eventos e deslocamentos.

Para empresas

  • Monitorar comportamento em tempo real;

  • Integrar áreas de tecnologia, produto e segurança;

  • Testar sistemas para picos de acesso;

  • Adotar múltiplas camadas de verificação;

  • Comunicar clientes preventivamente.

No fim, a recomendação é simples.

“A lógica é a mesma para sistemas e pessoas: observar contexto, identificar desvios de padrão e evitar decisões automáticas sob pressão. Em um ambiente digital acelerado, verificar antes de reagir é o que sustenta a confiança”, conclui Oliveira.

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