
A escola de samba Acadêmicos de Niterói ficou em último lugar na apuração do Carnaval do Rio e foi rebaixada do Grupo Especial. A escola, que havia sido promovida para o grupo neste ano, retorna para a Série Ouro.
A Acadêmicos de Niterói chamou a atenção neste ano no Grupo Especial ao contar a história do presidente Luiz Inácio Lula de Silva (PT), desde a infância no Nordeste, passando pela migração com a família para São Paulo, o trabalho como torneiro mecânico e a liderança sindical, até a Presidência da República.
Logo após o anúncio do rebaixamento, a oposição ao governo Lula reagiu nas redes sociais. Para aliados de Jair Bolsonaro e seu filho Flávio Bolsonaro, que confirmou sua pré-candidatura a presidente pelo PL, o desfile da Acadêmicos de Niterói se configura campanha eleitoral antecipada.
Um dos que reagiram ao rebaixamento minutos após o anúncio foi o próprio Flávio Bolsonaro, com uma postagem nas redes sociais afirmando que “quem ataca a família, não merece aplauso”.
“Lula é sempre uma ideia ruim, seja para governar o País, seja para um samba enredo. Nunca nos esqueçamos: família é algo sagrado. Depois dessa escola, o próximo rebaixamento vai ser do Lula e do PT”, disse, na legenda.
Quem também se manifestou nas redes foi o deputado Messias Donato (Republicanos), antes mesmo da conclusão do resultado.
Em postagem, ele postou: “Vai cair! Escola que fez homenagem a Lula lidera a colocação no rebaixamento”.
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL), que após o desfile disse que ia acionar o Ministério Público contra a escola de samba e contra Lula, também reagiu na sua conta na rede social X.
“A escola foi rebaixada demonstrando como o Lula está afundando o Brasil. Isto sim foi uma homenagem muito bem adequada”, postou.
O desfile
Logo na comissão de frente, a Acadêmicos de Niterói levou para a Sapucaí uma representação da rampa do Palácio do Planalto, lembrando a última posse de Lula, ao lado de integrantes da sociedade civil.
Atores e bailarinos também representaram o ministro Alexandre de Moraes, do STF, e os ex-presidentes Dilma Rousseff, Michel Temer e Jair Bolsonaro.
Em um dos carros, a escola trouxe uma crítica às políticas sociais da época do governo de Jair Bolsonaro e à forma como ele enfrentou a pandemia.
Na parte traseira, o carnavalesco fez uma referência à prisão do ex-presidente.
Lula acompanhou o desfile de um camarote especial e depois desceu.
Já a primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, que integraria o carro alegórico “Amigos de Lula”, desistiu pouco tempo antes de entrar na Sapucaí, o que colaborou para as notas da escola nas categorias “alegorias e adereços” e “conjunto”, já que houve divergência entre o projeto e a deflagração do desfile.
O desconto pode acontecer, porque o livro “Abre-alas” – documento com informações para acompanhamento do desfile – ainda continha o nome de Janja como parte da atração. O material é entregue anteriormente para os jurados e não foi atualizado a tempo sobre a desistência.
A escola também perdeu pontos, porque teve problemas para retirar seus carros alegóricos da Praça da Apoteose, no final do desfile.
* Reportagem em atualização
