
O presidente da Unafisco Nacional, Kleber Cabral, afirmou nesta quarta-feira (18) que um auditor- fiscal da Receita Federal confirmou ter acessado dados de uma parente do ministro Gilmar Mendes em novembro do ano passado.
A declaração foi feita um dia após a Polícia Federal realizar operação contra quatro servidores públicos, suspeitos de envolvimento no vazamento de dados de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e de familiares.
Em entrevista, Cabral relatou que o auditor foi ouvido pela administração da Receita Federal, e não pela Polícia Federal. Segundo ele, o servidor explicou que acessou o sistema para verificar se a pessoa era parente de um antigo conhecido.
“Ele teria feito um acesso em meado de novembro do ano passado. Ele lembrou disso e fez a explicação. Ele tava atrás de saber se essa pessoa era uma ex-mulher, enfim, era uma parente de um colega com o mesmo sobrenome da mesma região lá de Cuiabá, no Mato Grosso do Sul, e que tinha sido amigo dele de longa data e ele foi fazer isso. Quer dizer, pode fazer? Não, não pode”, contou Cabral.
O representante da associação afirmou que o auditor permaneceu apenas na tela inicial do sistema. “Ele só ficou naquela telinha inicial de vínculo de parente, entendeu? E isso, de uma declaração de 2008, ou seja, quem é que vai querer pegar dados de alguém de 2008 para vazar hoje.”
O presidente da Unafisco ainda declarou que o servidor negou ter acessado dados bancários. “Não tem absolutamente nada a ver com os fatos que estariam sendo investigados.”
- SAIBA MAIS: Associação questiona afastamento de auditor pelo STF
Operação da Polícia Federal
Na terça-feira (17), a Polícia Federal cumpriu quatro mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro, em Salvador, no Guarujá e em São José do Rio Preto (SP). As medidas foram determinadas por Alexandre de Moraes após representação da Procuradoria-Geral da República.
Segundo o STF, a investigação é um desdobramento do inquérito das fake news e apura “diversos e múltiplos acessos ilícitos ao sistema da Receita Federal e o vazamento das informações sigilosas”.
Críticas às medidas do STF
Durante a entrevista, Cabral criticou a ação da Polícia Federal e afirmou que a medida afeta a atuação dos auditores.
“Esse tipo de medida busca humilhar, constranger e amedrontar. Se você perguntar hoje quem está disposto a organizar um grupo de fiscalização para investigar autoridades, provavelmente não encontrará ninguém. Tornou-se menos arriscado fiscalizar membros do PCC do que altas autoridades da República”, declarou.
Ele também questionou a relação entre o acesso feito pelo auditor e os supostos vazamentos investigados.
“Isso é muito diferente de mandar mais de 100 pessoas para fazer uma apuração aberta. A chance de falso positivo é enorme”, afirmou.
O caso segue sob investigação da PF.
