
O Legislativo do Novo México, estado dos Estados Unidos (EUA), vai realizar a primeira investigação oficial presencial na antiga Zorro Ranch, propriedade associada ao financista Jeffrey Epstein e citada em ações judiciais por abuso sexual. Deputados afirmam que pretendem obter acesso ao local “mais cedo ou mais tarde”, segundo a revista Newsweek.
A medida é uma mudança de postura do estado após anos sem inspeção formal do imóvel, que tem mais de 3 mil hectares e fica nos arredores de Santa Fe. A nova comissão não pode apresentar acusações criminais, mas pretende produzir um registro público oficial sobre o que ocorreu ali e avaliar possíveis mudanças na legislação estadual.
O que está sendo investigado
Batizado agora de San Rafael Ranch, o imóvel foi citado em processos civis, incluindo ações movidas pela falecida Virginia Giuffre, como local de abusos. Duas das quatro vítimas que testemunharam no julgamento federal de Ghislaine Maxwell afirmaram ter sido agredidas na propriedade.
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A chamada “Epstein Truth Commission” foi criada pela Câmara estadual para apurar denúncias de abuso e tráfico sexual ligados à fazenda. O grupo tem quatro integrantes, divididos igualmente entre democratas e republicanos.
A deputada estadual Andrea Romero, democrata que propôs a criação da comissão, disse à Newsweek que o acesso ao rancho está no topo das prioridades.
“Há pessoas e locais de interesse que provavelmente visitaremos, e a Zorro Ranch está absolutamente no topo dessa lista”, afirmou.
Segundo ela, a comissão ainda não emitiu intimações, mas está preparada para fazê-lo caso haja resistência.
Romero destacou que, até hoje, nenhuma autoridade estadual realizou inspeção formal no local. Após a prisão de Epstein em 2019, autoridades federais teriam solicitado que o estado interrompesse apurações próprias sob o argumento de que o caso estava sob jurisdição federal.
Limites legais e cooperação
A comissão não tem poder para apresentar denúncias criminais, e parte dos possíveis crimes pode estar prescrita. O objetivo, segundo Romero, é consolidar um registro oficial dos fatos e identificar lacunas na legislação, especialmente em relação a prazos para que vítimas busquem reparação judicial.
A comissão realizou sua primeira reunião oficial nesta semana e deve coletar depoimentos, documentos e registros públicos. Também pretende trabalhar em cooperação com o Departamento de Justiça estadual.
A propriedade foi comprada em 2023 pelo empresário e ex-senador estadual do Texas Don Huffines, quatro anos após a morte de Epstein. Segundo um porta-voz ouvido pela Newsweek, a família adquiriu o imóvel em leilão público e nunca havia visitado o local antes da listagem para venda.
Huffines declarou que o rancho sempre esteve disponível às autoridades e que concederá acesso caso seja solicitado formalmente. Ele afirma que pretende transformar a área em um retiro cristão e que os recursos obtidos com a venda do imóvel foram destinados às vítimas de Epstein, conforme confirmado por advogados do espólio.
