Nas eleições de 2026 a Inteligência Artificial pode ser a vilã

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante a Sessão Plenária com almoço de trabalho, no Centro de Convenções Bharat Mandapa. Nova Délhi – Índia.Ricardo Stuckert / PR

Em visita oficial à Índia para a Cúpula sobre o impacto da Inteligência Artificial (IA), nesta quinta (19), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), elevou o tom contra o que chamou de “dominação algorítmica”. A declaração ocorre em plano ano eleitoral, quando a tecnologia que promete eficiência surge também como a maior fonte de incerteza para a integridade do voto.

Lula foi enfático ao declarar que a concentração do controle tecnológico nas mãos de poucas empresas e nações não representa progresso, mas uma forma de poder. “Quando poucos controlam os algoritmos, não é inovação, é dominação”, afirmou em seu pronunciamento na Cúpula. Para o governo brasileiro, a IA é um terreno onde o país deve deixar de ser apenas consumidor para se tornar um regulador ativo.

IA: vilã ou mocinha em 2026?

A ambiguidade da Inteligência Artificial é o ponto central do debate político atual. Se por um lado ela pode otimizar a gestão pública e facilitar o acesso à informação, por outro, as distorções podem desequilibrar a disputa nas urnas. “Toda inovação tecnológica de grande impacto possui caráter dual e nos confronta com questões éticas e políticas”, destacou Lula.

Segundo o professor e estrategista político, Marcos Marinho, a capacidade da tecnologia, quando com finalizade de prejudicar o processo democrático e político, tem efeitos altamente destrutivos. Para ele, o cenário político de 2026 é um “campo de batalha”. A geração de áudios e vídeos falsos com perfeição técnica permite que campanhas de desinformação atinjam eleitores de forma personalizada e quase indetectável pelas agências de checagem em tempo real.

Por outro lado, a IA pode ser principal ferramenta da Justiça Eleitoral para monitorar disparos em massa e identificar padrões de comportamento inorgânico que tentam fraudar o debate político.

O caminho da Governança global

Muito além do BRICS, a estratégia brasileira, reforçada na Índia, é levar essa discussão para o âmbito da Organização das Nações Unidas (ONU). A proposta é criar um marco regulatório multilateral que impeça que as “caixas-pretas” dos algoritmos decidam o que é verdade ou mentira em uma campanha presidencial.

Ao vincular a tecnologia à soberania nacional, o presidente brasileiro afirma que o governo não aceitará que a inovação tecnológica se sobreponha à vontade popular. Segundo Marinho, para este ano, a promessa é que a tecnologia não será apenas um pano de fundo. A depender das regras do jogo, a guardiã ou a maior ameaça da democracia brasileira.

Viagem para a Índia

Por cinco dias, de 18 a 22 de fevereiro de 2026, a comitiva do Governo Federal está em Nova Délhi, na Índia, com agenda voltada para oportunidades bilaterais em termos econômicos, tecnológicos, turísticos, agrícolas, energéticos e sustentáveis.

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