
O nome de Virginia Giuffre voltou ao noticiário nesta quinta-feira (19), após a prisão de Prince Andrew no Reino Unido. A norte-americana, que morreu em abril de 2025, foi a primeira mulher a acusar publicamente o então príncipe de abuso sexual no contexto do caso envolvendo Jeffrey Epstein.
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Giuffre afirmou ter sido vítima de tráfico sexual quando era adolescente e declarou que foi forçada a manter relações com Andrew em 2001, quando tinha 17 anos. As acusações deram dimensão internacional ao escândalo e resultaram em um acordo judicial firmado em 2022, sem admissão de culpa por parte do ex-príncipe.
Infância e início da exploração
Virginia Louise Roberts nasceu em 9 de agosto de 1983, em Sacramento, na Califórnia, e cresceu na Flórida. Em entrevistas e em sua autobiografia póstuma, relatou ter sofrido abuso sexual ainda na infância.

Na adolescência, fugiu de casa e passou por lares adotivos. Aos 14 anos, segundo seu relato, já vivia nas ruas de Miami.
Em 2000, trabalhando como atendente de spa no resort Mar-a-Lago, conheceu a socialite britânica Ghislaine Maxwell. Maxwell a teria recrutado para trabalhar como massoterapeuta para Epstein.
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Giuffre afirmou que, pouco depois, passou a integrar uma rede de exploração sexual comandada pelo financista.
As acusações contra Andrew
Segundo Giuffre, em 2001 ela foi levada a Londres por Epstein e apresentada a Andrew. Disse que manteve relações com ele em três ocasiões: na capital britânica, em Nova York e na ilha privada de Epstein, nas Ilhas Virgens Americanas.

Uma fotografia divulgada publicamente mostra Andrew com o braço ao redor dela, com Maxwell ao fundo. O ex-príncipe sempre negou as acusações e afirmou não se lembrar de ter conhecido Giuffre.
Em 2021, ela entrou com ação civil contra Andrew em Nova York. O processo foi encerrado em fevereiro de 2022 com um acordo extrajudicial. O valor não foi oficialmente divulgado. Após o caso, Andrew deixou funções oficiais da monarquia e perdeu títulos militares.
Epstein morreu na prisão em 2019 enquanto aguardava julgamento. Maxwell foi condenada por tráfico sexual de menores.
Vida na Austrália e atuação pública
Em 2002, durante um curso na Tailândia, Giuffre conheceu o australiano Robert Giuffre. Eles se casaram e se mudaram para a Austrália, onde tiveram três filhos.
Nos anos seguintes, ela passou a conceder entrevistas e a defender investigações mais amplas sobre a rede associada a Epstein. Fundou a organização Speak Out, Act, Reclaim (SOAR), voltada ao apoio a vítimas de tráfico sexual.
Giuffre morreu em abril de 2025, na Austrália. A família atribuiu a morte aos efeitos psicológicos decorrentes de anos de abuso e exposição pública.
A prisão de Andrew
Nesta quinta-feira (19), Andrew Mountbatten-Windsor foi preso pela Polícia do Vale do Tâmisa sob suspeita de má conduta em cargo público. A detenção ocorreu após a divulgação de e-mails de 2010 que indicariam o envio de relatórios oficiais comerciais e confidenciais a Epstein.
O ex-príncipe nega as acusações.
O Palácio de Buckingham informou que o rei Charles III declarou que “a lei deve seguir seu curso”. A investigação está em andamento.
