
A sensação térmica corresponde à forma como o corpo humano percebe a temperatura do ambiente, e que nem sempre coincide com os valores indicados nos termômetros. Esse resultado é influenciado sobretudo pela velocidade do vento e pela temperatura do ar.
Diferente do que muita gente pensa, quando usamos o termo “sensação térmica”, falamos sobre a percepção do frio. Isso acontece porque são considerados fatores que intensificam a perda de calor do corpo e que alteram a forma como sentimos o ambiente.
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A meteorologista do Inmet, Anete Fernandes, explica que o termo é aplicado de forma específica.
“A gente fala em sensação térmica, quando nós estamos falando de frio. Porque, dependendo do vento, aumenta a sensação de frio. Então, isso é sensação térmica”.
Ela acrescenta que, em períodos do ano em que as temperaturas ficam mais influenciadas pela nebulosidade, o mais adequado é falar em conforto térmico ou índice térmico. Nessas situações, a combinação entre alta umidade e temperaturas elevadas intensifica a percepção de calor, como ocorre nos dias abafados típicos do verão.
“No caso, se você tiver temperaturas elevadas, muita umidade e pouco vento você vai sentir um calor maior que o normal. Então é o índice térmico e não sensação térmica. O termo sensação térmica a gente só usa para frio”, ressalta.
Explicando a sensação térmica

De acordo com a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA), à medida que a velocidade do vento aumenta, o calor corporal é perdido mais rapidamente, o que reduz a temperatura da pele e pode, com o tempo, afetar a temperatura interna do organismo.
Por esse motivo, ela se baseia na taxa de perda de calor da pele exposta causada pela combinação entre vento e frio, oferecendo uma estimativa de como a temperatura do ar é percebida pelo corpo humano.
A sensação térmica não apenas intensifica a percepção de frio em relação à temperatura medida pelos termômetros, como também aumenta os riscos à saúde. Quanto mais baixa, maior e mais rápida é a probabilidade de ocorrerem queimaduras provocadas pelo frio e/ou hipotermia.

A hipotermia acontece quando a temperatura central do corpo cai para valores abaixo de 35 °C. Já o congelamento ocorre quando os tecidos corporais se congelam, atingindo principalmente as extremidades mais expostas, como dedos das mãos e dos pés, lóbulos das orelhas e a ponta do nariz.
Para se ter uma ideia do impacto do frio associado ao vento, em uma temperatura de –18 °C e sem circulação de ar, a pele exposta pode levar mais de 30 minutos para congelar. Porém, se houver vento a cerca de 24 km/h, a sensação térmica cai para aproximadamente –28 °C, condição em que o congelamento da pele pode ocorrer em poucos minutos.
A NOAA ainda destaca que a sensação térmica está associada à velocidade com que o corpo perde calor para o ambiente. Isso não significa que a temperatura real do ar fique mais baixa, mas sim que o frio é percebido de forma mais intensa.
Como calcular a sensação térmica?

O índice da sensação térmica é calculado através de uma equação matemática a partir do valor da temperatura do ar e da velocidade do vento.
Existem diferentes fórmulas de cálculo para esse índice. A mais usada no mundo, segundo a Metsul, é a do Serviço Nacional de Meteorologia dos Estados Unidos (NWS).
Já o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), realiza o cálculo seguindo o Índice Termoclimático Universal (UTCI), desenvolvido pela Comissão de Climatologia da Organização Meteorológica Mundial (OMM). Segundo o órgão, o método pode ser aplicado a todos os tipos de clima. Os diferentes valores do UTCI são classificados em termos de estresse térmico, seja por calor ou por frio.
Além disso, a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA) disponibiliza uma calculadora para que o valor da sensação seja determinada. Ela pode ser acessada clicando aqui.
