
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste domingo (22) que está confiante em alcançar um acordo com os Estados Unidos durante a visita que pretende fazer ao país no próximo mês. A declaração foi dada ao fim de sua agenda oficial na Índia, mesmo após o anúncio de tarifas globais de 15% pelo presidente Donald Trump (Republicanos).
Segundo Lula, apesar das novas taxas, há interesse mútuo em preservar a relação bilateral.
“Eu estou convencido que na conversa a relação Brasil–Estados Unidos vai voltar à normalidade. Eles têm interesse, nós temos interesse. Se taxar algum produto nosso, vai causar inflação nos Estados Unidos e vai ser prejudicial ao povo americano. Eles já sabem disso”, afirmou.
O presidente evitou comentar a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que suspendeu a aplicação de tarifas recíprocas pelo governo americano. Em reação, Trump anunciou a tarifa global de 15%, que, em tese, atinge todos os países e não altera diretamente a competitividade relativa das exportações brasileiras.
Lula disse ainda que pretende negociar diretamente com Trump e reforçou que o Brasil não quer alinhamento automático a nenhuma potência.
“Eu quero também dizer ao presidente Trump que nós não queremos uma nova guerra fria. Não queremos ter preferência por nenhum país. Nós queremos ter relações iguais com todos os países.“
Combate ao crime organizado
O presidente destacou que levará à pauta da visita aos EUA o combate ao crime organizado, tema que, segundo ele, tem sido prioridade na política externa brasileira.
Lula tem incluído em suas viagens internacionais o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Em dezembro, em telefonema com Trump, o presidente já havia defendido que autoridades americanas enviem ao Brasil brasileiros envolvidos com o crime que estejam refugiados nos EUA.
“Se o governo americano estiver disposto a combater o narcotráfico e o crime organizado, nós estaremos dispostos, na linha de frente, a acabar de uma vez por todas. Inclusive, reivindicamos a eles que mandem para nós os bandidos que estão lá” declarou.
Ao encerrar a visita de quatro dias à Índia, Lula classificou a viagem como um “marco” nas relações bilaterais, citando a reafirmação da parceria estratégica com o primeiro-ministro Narendra Modi e a assinatura de acordos em áreas como minerais críticos e cooperação digital.
“O mais importante é que, quando se trata de uma negociação com a Índia, nós não estamos tratando com um colonizador”, disse.
