Lula: Brasil não vai explorar terras raras como outros minérios

Extração das terras raras de Minaçu, em GoiásAgência Pública

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste domingo (22) que o Brasil não permitirá que suas terras raras e outros minerais críticos sejam explorados no mesmo modelo adotado historicamente para o minério de ferro, baseado na exportação de matéria-prima sem agregação de valor.

Não vamos permitir que nossas terras raras sejam exploradas como foi o minério de ferro durante tantos anos. A gente só cava buraco e manda o minério para fora para depois comprar produto manufaturado”, declarou.

A fala foi feita ao comentar a agenda que pretende discutir nas próximas semanas com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo Lula, o tema dos minerais estratégicos estará entre os principais pontos da conversa, embora a pauta inclua também comércio, investimentos e cooperação econômica.

Lula afirmou que o país está disposto a negociar a exploração de minerais críticos, desde que a transformação industrial ocorra em território nacional.

Se é para explorar minerais críticos, desde que o processo de transformação aconteça no Brasil, vamos conversar”, disse.

As chamadas terras raras são consideradas insumos estratégicos para a transição energética e digital. São usadas na produção de baterias, turbinas eólicas, veículos elétricos, chips e equipamentos militares, e estão no centro da disputa geopolítica entre grandes potências.

O presidente também citou a criação de um conselho nacional de política mineral, vinculado à Presidência da República, para coordenar a estratégia do governo no setor. Segundo ele, a medida busca dar “mais seriedade e objetividade” ao tratamento da nova riqueza mineral brasileira.

Para Lula, o Brasil precisa aproveitar a transição energética global para mudar seu padrão histórico de inserção na economia internacional.

“Nós agora queremos transformar no Brasil”, afirmou.

Soberania e equilíbrio geopolítico

Lula voltou a dizer que o Brasil não quer uma “nova Guerra Fria” nem pretende escolher lados na disputa entre grandes potências. Defendeu relações equilibradas com Estados Unidos, China, Índia e União Europeia, mas reforçou que a política mineral seguirá o princípio de agregar valor internamente.

Segundo ele, industrializar minerais críticos faz parte de uma estratégia mais ampla de fortalecimento da soberania econômica.

As declarações foram dadas ao fim de visita oficial à Índia, onde Lula se reuniu com o primeiro-ministro Narendra Modi e participou de um fórum sobre inteligência artificial.

Durante a viagem, o presidente também teve encontros bilaterais com Emmanuel Macron, Anura Kumara Dissanayake e Andrej Plenković, além de conversa com o CEO do Google, Sundar Pichai.

Neste domingo, Lula embarca para Seul, onde se reunirá com o presidente sul-coreano Lee Jae Myung e com executivos de grandes empresas do país. O retorno ao Brasil está previsto para o dia 24.

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