
Uma mulher de 56 anos foi condenada por manter outra moça com dificuldade de aprendizagem em cativeiro, na Inglaterra, por 25 anos. A vítima era obrigada a trabalhar e foi vítima de diversas agressões físicas e psicológica durante décadas. O caso foi julgado no Tribunal da Coroa de Gloucester. As informações são da BBC.
De acordo com a emissora britânica, a vítima, identificada apenas como “K”, foi encontrada pela polícia em 15 de março de 2021, em uma casa em Tewkesbury, no condado de Gloucestershire. Ela vivia em condições precárias, com sinais de desnutrição, lesões no rosto e perda de dentes. O caso só pôde ser detalhado agora por causa de restrições legais de divulgação do Reino Unido.
A ré, Mandy Wixon, mãe de dez filhos, foi condenada por cárcere privado, por obrigar uma pessoa a realizar trabalho forçado e por agressão que causou lesões corporais reais. A sentença será anunciada em 12 de março.
Segundo a BBC, o juiz Ian Lawrie afirmou que o caso tinha um “toque dickensiano”, em referência às condições degradantes descritas no processo.
Isolamento e violência ao longo de décadas
O tribunal ouviu que K nasceu em uma família com dificuldades e, por volta dos 16 anos, em 1996, passou a viver sob os cuidados de Wixon, que tinha uma ligação distante com seus parentes. A partir daí, desapareceu da sociedade.

O promotor Sam Jones afirmou ao júri: “No final da década de 1990, parece que a mulher desapareceu num buraco negro. Nenhum encontro que tenha deixado registro ou um único avistamento dela fora de casa.”
Ao longo dos anos, segundo a acusação relatada pela BBC, a vítima foi impedida de sair da residência, tinha alimentação restrita e era obrigada a limpar a casa, descrita como imunda e superlotada. Em certos períodos, ao menos 13 pessoas moravam no imóvel.
Relatos apresentados no julgamento indicam que ela era agredida com frequência, inclusive com um cabo de vassoura, o que resultou na perda de dentes. Produtos de limpeza teriam sido jogados no rosto dela e até na garganta. Médicos constataram desnutrição, e um dentista avaliou que ela sofreu por anos com infecções e abscessos não tratados.
Quando a polícia entrou na casa, em 2021, encontrou a mulher em um quarto descrito como semelhante a uma cela. Segundo a BBC, ela apresentava cicatrizes nos lábios e no rosto, além de calos nos pés e tornozelos, resultado de longos períodos ajoelhada para esfregar o chão.
Ao ser resgatada, disse aos policiais: “Eu não quero estar aqui. Não me sinto segura. Mandy me bate o tempo todo. Eu não gosto disso.”
Denúncia partiu de dentro da casa
A investigação começou após um dos filhos de Wixon procurar as autoridades e demonstrar preocupação com o estado da mulher. A polícia de Gloucestershire confirmou que a vítima estava visivelmente assustada no momento do resgate.
Após o julgamento, Wixon foi libertada sob fiança condicional até a data da sentença. Ao deixar o tribunal, negou as acusações.
Desde que foi retirada da casa, K passou a viver com uma família de acolhimento. Segundo a BBC, ela hoje frequenta a faculdade e já viajou para o exterior.
A promotora sênior Laura Burgess, do Crown Prosecution Service, afirmou que o avanço da vítima após sair do ambiente descrito no processo demonstra sua capacidade de reconstrução.
