Déficit em conta corrente cai em janeiro, mas envio de lucros ao exterior aumenta

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O déficit em conta corrente do Brasil somou US$ 8,4 bilhões em janeiro de 2026, segundo dados do Banco Central. O resultado representa melhora em relação a janeiro de 2025, quando o saldo negativo havia sido de US$ 9,8 bilhões.

Na comparação anual, a redução do déficit externo foi explicada principalmente pelo aumento do superávit da balança comercial de bens e pela queda do déficit em serviços. Parte desse movimento, porém, foi compensada pela maior remessa de renda ao exterior.

No acumulado de 12 meses encerrados em janeiro, o déficit em conta corrente recuou para US$ 67,6 bilhões, equivalente a 2,92% do Produto Interno Bruto (PIB). No mês anterior, o indicador estava em 3,03% do PIB e, um ano antes, em 3,35%.

Déficit em conta corrente: balança comercial ajuda a melhorar o setor externo

O superávit comercial de bens atingiu US$ 3,5 bilhões em janeiro de 2026, mais que o dobro do observado em janeiro do ano passado (US$ 1,4 bilhão).

As exportações totalizaram US$ 25,3 bilhões, queda de 1,2% na comparação anual. Já as importações somaram US$ 21,8 bilhões, recuo de 10%, movimento que contribuiu diretamente para a melhora do saldo externo.

Na conta de serviços, o déficit foi de US$ 4,0 bilhões, redução de 12,8% em relação a janeiro de 2025. Houve queda relevante nas despesas com transporte e telecomunicações, embora os gastos com aluguel de equipamentos e propriedade intelectual tenham aumentado.

As despesas líquidas com viagens internacionais chegaram a US$ 1,5 bilhão. O resultado refletiu aumento dos gastos de brasileiros no exterior e redução das receitas vindas de estrangeiros no país.

Lucros e dividendos pressionam as contas externas

O principal fator negativo do balanço de pagamentos foi a conta de renda primária. O déficit atingiu US$ 8,3 bilhões em janeiro, alta de 18,7% frente ao mesmo mês do ano anterior.

As despesas líquidas com juros somaram US$ 3,7 bilhões, enquanto os pagamentos de lucros e dividendos ao exterior alcançaram US$ 4,7 bilhões.

O dado indica maior remuneração do capital estrangeiro investido no país, o que tende a ampliar a saída de dólares mesmo em um cenário de melhora comercial.

Entrada de investimento estrangeiro compensa saída de dólares

Os investimentos diretos no país registraram ingressos líquidos de US$ 8,2 bilhões em janeiro, acima dos US$ 6,7 bilhões observados um ano antes.

No acumulado de 12 meses, o investimento direto atingiu US$ 79,1 bilhões, equivalente a 3,42% do PIB.

Além disso, os investimentos em carteira no mercado doméstico somaram entrada líquida de US$ 8,9 bilhões no mês, maior volume desde julho de 2018, impulsionados principalmente por aplicações em títulos de dívida.

As reservas internacionais alcançaram US$ 364,4 bilhões em janeiro, aumento de US$ 6,1 bilhões frente ao mês anterior. O avanço ocorreu principalmente por variações cambiais e receitas de juros.

Não houve intervenção do Banco Central no mercado de câmbio no período.

Déficit em conta corrente: o que os números indicam

Na avaliação de Leonardo Costa, economista do ASA, os números indicam uma melhora qualitativa do setor externo neste início de ano. Para ele, as transações correntes já mostram ajuste na margem, refletindo a contribuição da balança comercial e a entrada de capitais.

“Nossa expectativa é que a tendência ao longo de 2026 é de redução gradual do déficit em conta corrente, desde que o cenário externo permaneça relativamente estável e o fluxo de investimentos para o país se mantenha consistente”, avalia.

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