CPI do Crime Organizado vai convocar Vorcaro e irmãos de Toffoli

CPI do Crime Organizado: Hamilton Mourão (Republicanos), vice; Fabiano Contarato (PT), presidente, e Alessandro Vieira (MDB), relator Divulgação/ Agência Senado

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Senado, em reunião realizada nesta quarta-feira (25), aprovou os requerimentos para convocação do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e dos irmãos do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, José Carlos Dias Toffoli Cônego e José Eugênio Dias Toffoli.

A comissão também aprovou a quebra de sigilo bancário, fiscal, telefônico e telemático do Banco Master, da empresa Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários e da empresa Maridt Participações, da qual Toffoli e os irmãos são sócios.

Em relação às convocações dos irmãos do ministro Toffoli e também do empresário Mario Degani, o relator da CPI do Crime Organizado, senador Alessandro Vieira (MDB), afirmou que os depoimentos foram solicitados com base em indícios de conexão entre os três e a Reag Trust, por meio de participações no resort Tayayá, na cidade de Ribeirão Claro (PR).

“A intermediação de negócios envolvendo o Arleen, administrado pela CBSF (antiga Reag Trust), traz o tema para o centro do escopo da CPI. A Reag foi alvo da Operação Carbono Oculto, que apurou relações de lavagem de dinheiro com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC)”, diz Alessandro Vieira.

“Ainda, segundo as notícias, o fundo Arleen tinha como único cotista o cunhado de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master”, prosseguiu no requerimento.

Dias Toffoli era relator do caso Master no STF e tomou medidas no inquérito que motivaram a Polícia Federal (PF) a pedir a suspeição dos seus atos.

Em 12 de fevereiro, ele deixou a relatoria, que atualmente está sob responsabilidade do ministro André Mendonça. Dias depois, a ação sobre a suspeição foi arquivada.

Convites a autoridades

Além das convocações, a CPI aprovou uma série de convites para ouvir autoridades dos Três Poderes. Por serem convites, e não convocações, as autoridades não são obrigadas a depor.

Entre eles estão os ministros do STF, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, além do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.

A lista também inclui a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes; o ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, e o comandante do Exército, general Tomás Miguel Ribeiro Paiva.

Também foram aprovados nomes ligados ao sistema de Justiça e às forças de segurança, como Danilo Lovisaro do Nascimento, procurador-geral do Ministério Público do Acre e presidente do Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (GNCOC); Carlos Rocha Sanches, superintendente regional da Polícia Federal no Acre; o delegado Uirá Ferreira do Nascimento, diretor-geral da Polícia Civil do Rio de Janeiro; e o tenente-coronel Marcelo de Castro Corbage, comandante do BOPE.

A comissão ainda quer ouvir integrantes do Ministério Público Federal e da Polícia Federal, como Lucas de Morais Gualtieri, procurador federal e coordenador da Operação Trapiche (GAECO-MG), e Christian Vianna de Azevedo, oficial da PF.

Próximos passos

Com a aprovação dos requerimentos, cabe agora à presidência da comissão formalizar os convites e organizar o calendário de depoimentos.

A CPI foi instalada para investigar a atuação de organizações criminosas e suas conexões financeiras e institucionais.

Depoimento de TH Joias foi adiado

O depoimento do ex-deputado estadual do Rio de Janeiro Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias, que estava prevista para esta quarta-feira, foi adiado.

O ex-parlamentar foi preso em setembro do ano passado após ser acusado de ter ligações com o Comando Vermelho.

Após sua prisão, o então presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil), e o desembargador Macário Ramos Júdice Neto também foram detidos, suspeitos de vazamento de informações.

Segundo o senador Fabiano Contarato (PT), presidente da CPI, o depoimento teve que ser adiado, porque o STF não deu aval em tempo hábil para o deslocamento de TH Joias.

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