Homem é condenado a 21 anos por matar ex-mulher no interior de SP

Beatriz Ribeiro Rocha FreitasReprodução/ Redes Sociais

Fernando Rodrigues da Silva, de 45 anos, foi condenado a 21 anos de prisão, em regime fechado, e não poderá recorrer da decisão pelo assassinato da ex-mulher, Beatriz Ribeiro Rocha Freitas, de 25 anos. O crime ocorreu em 29 de março de 2024, na casa onde o casal morava, em Bálsamo, no interior de São Paulo. Segundo a denúncia, ele não aceitava o fim do relacionamento.

O julgamento foi realizado na última quinta-feira (26), no Fórum de Mirassol, cidade vizinha a Bálsamo. O corpo de jurados foi composto por seis mulheres e um homem, e sete testemunhas participaram do júri. A sessão começou às 9h e, após 12 horas, o réu foi condenado por homicídio qualificado por motivo torpe e feminicídio, além de posse irregular de arma de fogo de uso permitido. Ele deverá cumprir a pena em regime fechado.

De acordo com as investigações, Beatriz morava em Praia Grande, no litoral paulista, e havia se mudado para Bálsamo para viver em união estável com Fernando, eles estavam juntos há cerca de cinco anos. O casal tinha um filho, de dois anos. A vítima, no entanto, decidiu se separar e planejava retornar para Praia Grande, mas foi morta antes da mudança.

Fernando Rodrigues da SilvaReprodução

Ela foi encontrada nos fundos do imóvel, com dois ferimentos na cabeça, pela irmã do acusado.

Fernando se entregou à polícia em 3 de abril de 2024, quatro dias após o crime. Ao se apresentar, confessou o assassinato e informou que havia jogado o revólver utilizado no feminicídio em uma represa na zona rural da cidade. A arma foi localizada e apreendida.

Arma utilizada no crimePolícia Civil

O réu respondeu por feminicídio por motivo torpe, caracterizado pelo sentimento de posse em relação à vítima, que havia decidido encerrar o relacionamento e deixar a cidade. A denúncia foi oferecida pelo Ministério Público (MP).

Brasil bate recorde de feminicídios

O Brasil registrou, em 2025, o maior número de vítimas de feminicídio desde o início da tipificação do crime: foram 1.518 mulheres assassinadas ao longo do ano. O dado coincide com os dez anos da sanção da Lei do Feminicídio.

Até então, o maior número havia sido contabilizado em 2024, com 1.492 mulheres mortas, média de quatro por dia, conforme levantamento do Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

No cenário estadual, São Paulo também apresentou recorde. Entre janeiro e dezembro de 2025, foram registradas 266 ocorrências de feminicídio, o maior total desde o início da série histórica, em 2018. A média indica que uma mulher foi assassinada a cada 33 horas no estado, segundo dados da Secretaria da Segurança Pública (SSP).

Casos de feminicídio aumentam no BrasilGerado por IA

O cenário nos estados brasileiros

Nos estados brasileiros, São Paulo liderou o ranking de feminicídios em 2025, incluindo recordes também na capital paulista, cerca de 60 mulheres foram mortas na capital no ano passado. Na sequência aparecem Minas Gerais, com 139 ocorrências; Rio de Janeiro, com 104; Bahia, com 103; e Paraná, que contabilizou 87 casos no período, concentrando os maiores números absolutos de registros no país.

Brasil está entre os países com mais feminicídios no mundo

O Brasil está entre as nações com os maiores números absolutos de feminicídio no cenário internacional, ocupando posições alarmantes em rankings globais. Dados de 2025 e do início de 2026 apontam que o país registrou recordes históricos, com média de quatro mulheres assassinadas por dia por razões de gênero, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH).

De acordo com os levantamentos mais recentes, o Brasil é frequentemente citado entre os cinco países com mais casos de feminicídio no mundo, ao lado de El Salvador, Colômbia, Guatemala e Rússia.

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