
A estratégia era clara até outro dia.
De longe, Flávio Bolsonaro parecia ser o adversário dos sonhos do presidente Lula. Não tem o carisma do pai, costuma passar mal em debates na TV, não possui experiência em gestão, nem grandes projetos para mostrar desde que entrou na política, e tem acumula uma série de suspeitas ainda a serem explicadas sobre rachadinhas e compras de imóveis.
Para piorar, o Zero Um larga em uma estrada cheia de campo minado, com aliados ressentidos com a escolha do pai, Jair Bolsonaro, e indispostos a entrar de cabeça na campanha. A madrasta, Michelle, puxa a fila, que tem também Tarcísio de Freitas e Nikolas Ferreira às turras com os filhos do ex-presidente.
Ainda assim, Flávio já aparece numericamente à frente do petista em uma simulação de segundo turno da pesquisa Atlas Intel divulgada nesta semana.
O pré-candidato do PL aparece com 46,3% das intenções de voto (tinha 44,9% em janeiro). Já Lula caiu de 49,2%, em janeiro, para os atuais 46,2%.
No Brasil e no mundo, era regra, até outro dia, a ideia de que candidatos à reeleição, por terem a máquina a seu favor, são sempre favoritos. As duas últimas eleições nos Estados Unidos dizem o contrário. A mais recente no Brasil também.
Na vitrine, os chefes de governo são mais expostos a críticas e costumam levar a culpa por tudo o que dá errado na vida privada dos cidadãos, da oferta de emprego aquém das supostas capacidades até os buracos da rua.
Lula precisa do Congresso para aprovar projetos populares, como o PL Antifacção e o fim da Escala 6 por 1, e chegar à eleição com moral. Mas a oposição, ao menos aqui organizada, promete fazer da vida dele um inferno – e foi o que fez ao aprovar, na CPMI do INSS, a convocação de um dos filhos do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, para depor sobre suspeitas de envolvimento nas fraudes ao sistema previdenciário.
Por algum tempo, Lula e o PT ignoraram Flávio para não correr o risco de, diante da artilharia, ele se desgastar e ser substituído por um candidato mais forte, como Tarcísio. Talvez precisem agora rever a estratégia.
*Este texto não reflete necessariamente a opinião do Portal iG
