
A primeira segunda-feira do mês, marca um ponto de inflexão na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). Em uma tarde que promete ser decisiva para o arremate das investigações, os parlamentares mergulham simultaneamente em duas frentes: a fragilidade tecnológica dos sistemas federais e os bastidores operacionais de um dos maiores esquemas de fraude previdenciária da história recente do país. Hoje (2), às 16h, centro das atenções estão Rodrigo Ortiz D’Avila Assumpção, presidente da Dataprev e a ex-secretária do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS“.
A oitiva com Assumpção não é meramente protocolar. A Dataprev, braço tecnológico da Previdência, é o coração digital por onde passam os dados de milhões de brasileiros. A comissão quer entender como empresas ligadas ao esquema do “Careca” e de seus associados conseguiram, com uma facilidade alarmante, realizar descontos indevidos diretamente na folha de pagamento de aposentados.
O depoimento de Alien Cabral é aguardado com cautela e expectativa, especialmente após a quebra de sigilo de figuras influentes e a revelação de que o esquema pode ter ramificações mais profundas do que se imaginava inicialmente. A narrativa aqui não é apenas de números, mas de como a confiança de idosos foi traída por meio de assinaturas forjadas e adesões fantasmas.
O foco dos parlamentares está em uma possível “porta aberta” ou falha estrutura que permitiu a movimentação de cerca de R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024. A grande questão que paira no plenário é se houve negligência ou se o sistema foi deliberadamente moldado para facilitar a atuação de entidades associativas de fachada.
O elo humano: Segredos de gabinete
Se a Dataprev representa o “como” da fraude, a ex-secretária do “Careca do INSS” detém o “quem”. Como braço direito operacional do lobista, ela é vista como a peça-chave para detalhar o fluxo de influência dentro de Brasília. Documentos em posse da comissão sugerem que o escritório do operador funcionava como um centro de conexões entre o poder público e interesses privados escusos.
A voz do comando: “Ninguém vai nos parar”
O senador Carlos Viana (Podemos), presidente da CPMI do INSS, tem apresentado a face da indignação no processo. Em suas redes sociais e manifestações oficiais, Viana subiu o tom, afirmando que a comissão não recuará diante de tentativas de blindagem de nomes influentes.
”Enquanto houver uma viúva explorada ou um órfão prejudicado, essa CPMI terá voz e direção”, declarou o senador recentemente, enfatizando que 2026 será o ano das “consequências”. Para Viana, o dia de hoje é fundamental para desarmar a estrutura que permitiu que pessoas com “muito dinheiro e influência política” escapassem do radar das autoridades por tanto tempo.
O que esperar
Com a sessão prevista para iniciar às 16h, o clima nos corredores do Congresso é de tensão. O resultado destes depoimentos deve alimentar o relatório final da CPMI, que vai alimentar o processo investigativo em andamento.
