Além de Tatiana Sampaio: veja pesquisadores inovadores do Brasil

PesquisaReprodução/ Freepik

Pesquisadores brasileiros têm conduzido estudos com impacto em diferentes áreas da saúde e apresentado propostas que podem contribuir para a melhoria da qualidade de vida. Desde avanços promissores no tratamento de lesões medulares até iniciativas sustentáveis para ampliar o acesso à água potável, esses cientistas vêm projetando o Brasil no cenário científico, dentro e fora do país. A seguir, conheça alguns desses pesquisadores que lideram estudos inovadores:

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Tatiana Sampaio

Tatiana Sampaio, coordenadora do estudo sobre polilamininaCrédito: Divulgação

Tatiana Coelho de Sampaio é professora do Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e coordenou uma pesquisa, que após mais de 25 anos de estudos, resultou em uma molécula experimental chamada polilaminina

A substância amplia as possibilidades de recuperação para pessoas com paraplegia ou tetraplegia causadas por acidentes, o que levou a pesquisadora brasileira a conquistar grande reconhecimento nacional e internacional ao liderar uma dos estudos mais promissores no tratamento de lesões medulares.

Embora ainda em fase de pesquisa, os resultados iniciais já despertam grande expectativa na comunidade científica e na população.

Frederico Garcia

Frederico Duarte GarciaReprodução/ Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico

Frederico Duarte Garcia é professor associado do Departamento de Saúde Mental da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), pesquisador bolsista de Produtividade do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e coordenador do Centro de Referência em Drogas (CRR).

Ele lidera um estudo que reúne especialistas das áreas de Medicina, Química, Farmácia e Medicina Veterinária responsáveis pelo desenvolvimento da Calixcoca, uma vacina terapêutica voltada ao tratamento da dependência de cocaína, com potencial aplicação também em casos de uso de crack.

O desenvolvimento da vacina que teve início em 2015 se encontra em estágio avançado e apresentou resultados promissores nos testes pré-clínicos.

A Calixcoca atua estimulando o sistema imunológico a produzir anticorpos que se ligam à cocaína na corrente sanguínea. Ao se conectar à substância, esses anticorpos formam moléculas maiores, impedindo que a droga atravesse a barreira hematoencefálica e atinja o cérebro.

Nos estudos pré-clínicos, foram observadas evidências da segurança e eficácia tanto no tratamento da dependência quanto na prevenção de efeitos obstétricos e fetais decorrentes da exposição às drogas em animais grávidas.

Neuza Frazatti Gallina 

Neuza Frazatti Gallina Reprodução/ Instituto Butantan

A bióloga Neuza Frazatti Gallina liderou o desenvolvimento da candidata vacinal contra a dengue criada pelo Instituto Butantan.

A Butantan-DV, imunizante aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), é resultado do trabalho de mais de 200 cientistas e colaboradores. A iniciativa começou em 2009, período em que o Brasil registrava números recordes da doença, com cerca de 1 milhão de casos prováveis e quase 900 mortes, consolidando a dengue como um grave problema de saúde pública.

Diante desse cenário, o Butantan firmou parceria com os Institutos Nacionais de Saúde (NIH), dos Estados Unidos, por intermédio do pesquisador Isaias Raw, que já havia dirigido a instituição. O NIH disponibilizou as quatro cepas atenuadas do vírus (DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4), possibilitando o desenvolvimento do primeiro imunizante nacional contra a enfermidade.

Sob a coordenação de Neuza, que atua como gerente de Desenvolvimento de Processos do Laboratório Piloto de Vacinas Virais (LVV), a equipe conduziu 270 experimentos e realizou cerca de 50 tentativas de formulação até alcançar o produto final.

Como era necessário garantir concentração equivalente dos quatro sorotipos, e cada cepa apresentava comportamentos distintos ao longo da produção, foi preciso estudar separadamente o desempenho de cada uma.

Ricardo Sobhie Diaz 

Ricardo Sobhie DiazReprodução/ Redes sociais (Facebook)

Ricardo Sobhie Diaz é médico infectologista formado pela Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM/Unifesp) e diretor do Laboratório de Retrovirologia da instituição. Ele também atua em pesquisas nas áreas de virologia, biologia molecular e estudos clínicos voltados ao HIV.

Além da atuação científica, é docente da Escola Paulista de Medicina e autor correspondente do estudo que apresentou avanços na busca por estratégias de remissão do HIV.

Conduzido em parceria com centros internacionais e publicado antecipadamente no Journal of Infectious Diseases, o trabalho mostrou que três participantes mantiveram o vírus controlado por meses sem terapia antirretroviral e um deles permaneceu com carga viral indetectável por 78 semanas. 

O ensaio clínico testou seis combinações terapêuticas, incluindo otimização da terapia antirretroviral, nicotinamida (vitamina B3), auranofina e imunoterapia personalizada com células dendríticas. Após 48 semanas, parte dos voluntários interrompeu o tratamento de forma supervisionada para avaliar o comportamento do vírus.

Como o HIV forma reservatórios latentes no organismo, sua eliminação completa ainda é um desafio. As estratégias avaliadas buscam reduzir esses reservatórios e fortalecer o sistema imunológico para manter o vírus controlado mesmo sem medicação contínua. 

Jaqueline Goes de Jesus

Jaqueline Goes de JesusReprodução/ Wikimedia Commons

Jaqueline Goes de Jesus é biomédica e doutora em Patologia Humana e Experimental pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), em parceria com a Fiocruz. A pesquisadora ganhou destaque durante a pandemia por integrar a equipe responsável pelo sequenciamento do primeiro genoma do SARS-CoV-2 no Brasil, realizado apenas 48 horas após a confirmação do primeiro caso de Covid-19 no país.

Jaqueline realizou, em 2018, um estágio em Birmingham, na Inglaterra, onde aprimorou protocolos de sequenciamento completo do vírus Zika utilizando tecnologia de nanoporos, além de técnicas para sequenciamento direto de RNA, o conhecimento contribuiu posteriormente para as análises do novo coronavírus.

O estudo conduzido pelo grupo que a pesquisadora fez parte permitiu identificar diferenças entre o vírus detectado no paciente brasileiro e o genoma inicialmente descrito em Wuhan, na China. As análises indicaram maior proximidade com variantes que circulavam na Alemanha.

Pelo trabalho realizado no enfrentamento à pandemia, a cientista baiana recebeu diversos prêmios e homenagens. Ela também integra o Centro Conjunto Brasil-Reino Unido para Descoberta, Diagnóstico, Genoma e Epidemiologia de Arbovírus, iniciativa voltada ao monitoramento de epidemias com respostas em tempo real.

Matheus Henrique Dias

Matheus Henrique DiasReprodução/ Redes sociais (LinkedIn)

Matheus Henrique Dias, biomédico com especialização em biologia molecular, lidera uma pesquisa que propõe uma abordagem inovadora no combate ao câncer. Em vez de bloquear a multiplicação das células tumorais, a estratégia busca estimulá-las até que entrem em colapso por sobrecarga, as levando à morte.

Os tumores se formam quando alterações no DNA fazem com que determinadas células percam o controle do ciclo natural e passem a se dividir de maneira desordenada. A proposta do estudo é justamente provocar um “curto-circuito” nesse mecanismo.

A pesquisa, já publicada em importantes periódicos científicos, está sendo desenvolvida no Instituto do Câncer da Holanda, um dos centros de referência em pesquisa oncológica na Europa. A terapia ainda se encontra em fase inicial de testes e precisará avançar por novas etapas antes de uma possível aplicação clínica.

Bárbara Paiva

Bárbara Gosziniak PaivaReprodução/ Redes sociais (Instagram)

Bárbara Gosziniak Paiva é engenheira ambiental formada pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), mestre e doutoranda em Engenharia de Materiais.

Durante o mestrado, ela desenvolveu o Aqualux, uma garrafa capaz de tornar a água própria para consumo, projeto que rendeu reconhecimento nacional e internacional.

A ideia surgiu a partir de pesquisas sobre os efeitos da radiação azul na esterilização da água, especialmente na eliminação de micro-organismos patogênicos, ou seja, que fazem mal à saúde.

Ao aprofundar os estudos, Bárbara se deparou com dados preocupantes, como o fato de milhões de brasileiros ainda não terem acesso à água potável.

Diante do cenário, ela decidiu transformar a pesquisa em uma solução prática. Assim nasceu o Aqualux, um dispositivo que utiliza energia solar para filtrar, esterilizar e resfriar a água, ampliando o acesso ao recurso a quem precisa.

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