Sintonia do Progresso: peças financeiras do PCC no narcotráfico

Silvio Luiz Ferreira, Ulisses Scotti de Toledo e Jose Carlos Matias AlvesPolícia Civil

A chamada “Sintonia do Progresso” é um dos setores estratégicos do Primeiro Comando da Capital (PCC) e concentra atividades consideradas de alto lucro dentro da organização criminosa.

De acordo com investigações da polícia, o grupo é responsável principalmente pelo gerenciamento do tráfico de drogas em grande escala. A atuação envolve a logística de envio e distribuição de grandes quantidades de entorpecentes para diferentes regiões e estados, além do controle de rotas utilizadas para o transporte da droga, como a chamada “rota caipira” e a entrada de entorpecentes pela Bolívia.

Além do tráfico, a “Sintonia do Progresso” também é apontada como responsável pela coordenação de roubos estruturadosGerado por IA

Além do tráfico, a “Sintonia do Progresso” também é apontada como responsável pela coordenação de roubos estruturados, incluindo ataques a bancos, conhecidos no meio criminoso como “novo cangaço” e roubos de carga. Essas ações exigem planejamento e divisão de tarefas, características atribuídas ao setor.

Segundo as autoridades, trata-se de um dos núcleos financeiros mais relevantes da facção, por concentrar atividades que movimentam grandes quantias de dinheiro.

No PCC, o termo “sintonia” é utilizado para designar departamentos internos, cada um com funções específicas. Essa divisão de tarefas faz parte da estrutura organizacional do grupo e permite que a facção mantenha suas atividades mesmo quando integrantes da liderança são presos.

Veja quem são os integrantes dessa sintonia:

Silvio Luiz FerreiraReprodução/ Redes Sociais

Nome: Silvio Luiz Ferreira

Apelidos: Cebolinha e Arrepiado

Idade: 46 anos

Pena: tráfico de drogas e associação criminosa

Situação: Foragido

Descrição: Silvio Luiz, conhecido como “Cebola” e “Arrepiado”, era sócio da empresa de ônibus UPBus Qualidade em Transporte S/A, é considerado foragido da Justiça há 11 anos.

Segundo a polícia, ele era apontado como um dos controladores da empresa. As investigações também indicam que ele ocupa posto de chefia no Primeiro Comando da Capital (PCC), integrando a chamada “Sintonia Geral do Progresso”, setor restrito a integrantes de confiança da cúpula e responsável pelo gerenciamento do tráfico de drogas da facção, incluindo o chamado “laboratório de drogas”, apontado como principal atividade econômica do grupo. De acordo com os investigadores, ele também teria atuação no tráfico internacional. Além disso, ele também integra a “Sintonia Final da Rua”.

Cebola foi preso em 2012 e solto em 2014 após concessão de habeas corpus. Ele foi o único alvo da ‘Operação Fim da Linha’, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) em 2024. A investigação teve como foco o setor financeiro da facção e identificou movimentação superior a R$ 732 milhões entre 2020 e 2022, considerando todos os investigados.

O paradeiro de Silvio Luiz Ferreira é desconhecido.

Ulisses Scotti de ToledoPolícia Civil

Nome: Ulisses Scotti de Toledo

Apelidos: Lele Vassoura e Lele de Itaquera

Idade: 39 anos

Descrição: Ulisses Scotti de Toledo, conhecido como Lelê, é mencionado em pelo menos 21 processos no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), conforme registros disponíveis no Jusbrasil.

Segundo organograma divulgado pela Polícia Civil de São Paulo, ele integra a chamada “Sintonia do Progresso”.

Identificado em investigações, Lelê teria participado do planejamento de ações contra autoridades políticas de alto escalão, incluindo o ex-juiz e senador Sergio Moro, além dos presidentes da Câmara e do Senado, Arthur Lira e Rodrigo Pacheco. As apurações apontaram ainda planos de atentados a bomba e outras ações criminosas.

No fim de outubro de 2023, Ulisses Scotti de Toledo foi solto da Penitenciária Federal de Mossoró, após cumprir pena por roubo e formação de quadrilha.

Jose Carlos Matias AlvesPolícia Civil de São Paulo

Nome: Jose Carlos Matias Alves

Apelidos: Dedinha, Deda, Polegar e Barriga

Situação: Preso

Descrição: José Carlos Matias Alves é mencionado em pelo menos 25 processos no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), conforme registros disponíveis no Jusbrasil.

De acordo com as investigações, ele integra o chamado “Setor Progresso”, apontado como responsável pela articulação de ações no sistema prisional.

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