
O ciclone subtropical Caiobá se formou no Atlântico Sul, conforme informou a Marinha do Brasil na análise desta segunda-feira (2). O sistema apresenta pressão central de 1003 hPa e está localizado em alto-mar. Essa é a primeira formação de um fenômeno atípico desde 2024.
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De acordo com a Metsul Meteorologia, a tempestade se desloca para Sul-Sudeste, afastada do continente, e não oferece risco para áreas em terra.
Durante a segunda-feira, os ventos máximos sustentados estavam estimados em força 7 na escala Beaufort, entre 50 e 61 km/h, com rajadas que poderiam alcançar força 8, variando de 62 a 74 km/h. Na área de atuação do sistema, o mar apresenta perigo à navegação.
Já na madrugada desta terça-feira (3), a tendência era de enfraquecimento, com reclassificação para depressão subtropical e ventos entre 28 e 33 nós, ou seja, cerca de 52 a 61 km/h.
A projeção indica ainda que o sistema deve continuar se afastando em direção ao Sudeste e permanecer sobre o oceano e sem impacto direto no litoral brasileiro.
Primeiro ciclone atípico nomeado desde 2024
De acordo com a Metsul Meteorologia, o último ciclone atípico nomeado na costa brasileira foi a tempestade subtropical Biguá, formada em 15 de dezembro de 2024, na área entre o Brasil e o Uruguai.
O sistema recebeu a denominação da Marinha do Brasil e alcançou ventos de até 95 km/h, com pressão mínima de 998 hPa, sendo classificado como tempestade subtropical.
Na sequência, ao avançar para Sudeste e se afastar do continente, o fenômeno perdeu força, foi rebaixado a depressão subtropical e, na madrugada de 17 de dezembro, passou à condição de área de baixa pressão após completar a transição para ciclone extratropical.
A circulação próxima ao litoral provocou ventos intensos no Sudeste do Rio Grande do Sul, resultando em falta de energia elétrica e danos estruturais em cidades da região.
Por que o ciclone é considerado atípico?

Na costa brasileira, o mais comum é a formação de ciclones extratropicais. Já os sistemas que apresentam características subtropicais ou tropicais são classificados como atípicos, por ocorrerem com menor frequência na região.
O ciclone extratropical, típico das latitudes médias e altas, está associado a frentes frias e quentes e se forma a partir do contraste de temperatura entre massas de ar frio e quente, fenômeno conhecido como gradiente térmico horizontal. Ele possui núcleo frio, ou seja, a temperatura em seu centro é inferior à das áreas ao redor, além de frentes meteorológicas bem definidas.
O sistema subtropical, por sua vez, costuma se desenvolver entre as latitudes de 20° e 40° e tem uma fonte de energia mista: combina o contraste térmico horizontal com o calor liberado pela condensação do vapor d’água. Sua estrutura é intermediária, reunindo características tanto de ciclones tropicais quanto extratropicais, e apresenta núcleo parcialmente quente ou quente em níveis mais altos da atmosfera.
Já o ciclone tropical é uma área de baixa pressão com núcleo quente desde os níveis mais baixos até os mais altos da atmosfera. Ele se forma sobre as águas oceânicas aquecidas, organiza chuvas intensas e ventos fortes ao redor de um centro de circulação, e se alimenta do calor do mar. Ao atingir o continente ou águas mais frias, tende a perder força.
No Brasil, apenas ciclones atípicos, ou seja, subtropicais ou tropicais, recebem nome. Os extratropicais, por serem comuns e recorrentes, não são batizados.
Para que um sistema atípico seja classificado como tempestade e receba denominação oficial, é necessário que apresente ventos sustentados superiores a 60 km/h. Caso os ventos sejam inferiores a esse limite, mesmo que o sistema seja subtropical ou tropical, ele é classificado apenas como depressão e não recebe nome.
