
Representantes do Irã declararam, durante três dias de negociações, possuir urânio enriquecido suficiente para “produzir 11 bombas nucleares“, segundo o enviado especial dos Estados Unidos para o Oriente Médio, Steve Witkoff, afirmou em entrevista à Fox News.
Segundo Witkoff, a declaração foi feita diretamente pelos negociadores iranianos ao mencionarem o controle de 460 quilos de urânio enriquecido a 60%, material que poderia ser elevado ao nível de 90%, considerado grau militar, em cerca de uma semana.
Os iranianos abriram as reuniões defendendo o que chamaram de “direito inalienável” de enriquecer combustível nuclear. O enviado disse que a delegação estadunidense respondeu que o presidente dos EUA considerava ter o “direito inalienável de detê-los imediatamente”.
- LEIA MAIS: Israel ataca assembleia que elegeria novo líder supremo do Irã
Estoque de material nuclear
Witkoff detalhou que o Irã teria aproximadamente 10 mil quilos de material físsil, distribuídos entre 460 quilos enriquecidos a 60%, cerca de mil quilos a 20% e o restante a 3,67%.
O material a 60% poderia alcançar 90% de enriquecimento, nível associado a armamentos, “em aproximadamente uma semana, talvez 10 dias”, enquanto o material a 20% poderia atingir esse patamar em “três a quatro semanas”, afirmou Witkoff.
Segundo o enviado, os negociadores iranianos também disseram que o país fabrica suas próprias centrífugas, o que, na avaliação dele, dificultaria a interrupção do processo de enriquecimento.
Propostas rejeitadas
O representante afirmou que a delegação dos EUA apresentou uma proposta de dez anos sem qualquer enriquecimento de urânio por parte do Irã, com fornecimento externo de combustível nuclear para fins civis. Segundo ele, a oferta foi rejeitada de forma direta.
Witkoff disse ainda que o presidente dos EUA determinou que as negociações avaliassem se havia disposição iraniana para um acordo que incluísse o fim do enriquecimento com potencial militar, a eliminação do programa de mísseis e a interrupção do apoio a grupos aliados na região.
Durante a conversa, Witkoff afirmou que, ao final do segundo encontro com os iranianos, já avaliava que seria “muito, muito claro” que um acordo seria improvável, embora uma terceira reunião tenha sido realizada.
