
Dois dos investigados por estupro coletivo se entregaram nesta terça-feira (03), em Copacabana, na Zona Sul do Rio. Segundo o delegado Angelo Lages, titular da 12ª DP (Copacabana), a expectativa é que os outros dois acusados se apresentem até esta quarta-feira (04). A polícia está em contato direto com as defesas dos envolvidos.
De acordo com Lages, a Polícia Civil já pediu a prisão de quatro indiciados pelo crime. Um adolescente também é apontado como envolvido e aguarda decisão da Justiça da Infância e da Juventude sobre eventual internação. “Claro que a investigação é muito embrionária, mas, ao que tudo indica, ela se limita a esse grupo de pessoas”, declarou o delegado. Mattheus Verissimo Zoel Martins se apresentou pela manhã. João Gabriel Xavier Bertho compareceu à delegacia no início da tarde. Ambos optaram por permanecer em silêncio.
Matheus Veríssimo Zoel Martins, que foi o primeiro jovem a se entregar à Polícia, na 12° DP, deixou o local nesta terça-feira (03) para ser conduzido ao sistema prisional. pic.twitter.com/PnUBx0yWJT
— iG (@iG) March 3, 2026
“Conversei com os advogados e coloquei a delegacia à disposição para ouvir as versões deles. As defesas entenderam que eles devem se manifestar apenas em juízo”, relatou. Segundo o delegado, os procedimentos envolvendo o menor tramitam de forma separada. “Ele está aguardando uma posição da Justiça em relação à internação. Neste momento, não é considerado foragido, porque são processos distintos.”
Novos casos surgem após repercussão do crime
A polícia também investiga o relato de uma segunda vítima, que afirma ter sido abusada em 2023. Segundo o delegado, o intervalo entre o fato e a denúncia não impede o avanço das apurações.
“Ela relatou que o crime ocorreu em 2023. Existe um lapso temporal, mas vamos utilizar todas as técnicas disponíveis, inclusive eventual quebra telemática para acessar dados armazenados em nuvem, caso existam registros”, explicou. De acordo com Lages, a mãe da jovem afirmou que a filha teria sido filmada e que as imagens teriam sido usadas como forma de intimidação, o que poderia explicar a demora na denúncia.
Na tarde desta terça-feira (03), uma terceira adolescente procurou a delegacia afirmando que também foi abusada por integrantes do mesmo grupo. Segundo o delegado, há indícios de que os envolvidos utilizaram o mesmo modus operandi nos dois casos: aproximação prévia, construção de confiança e atração da vítima até um imóvel onde outras pessoas participariam da violência.
Emboscada planejada e uso de confiança
Para o delegado, o crime foi premeditado. Ele afirmou que o adolescente teria se valido da confiança da vítima, com quem estudava no Colégio Pedro II, para atraí-la até o apartamento onde os fatos ocorreram. Segundo a investigação, a jovem acreditava que encontraria apenas o rapaz com quem já mantinha relação e deixou claro que não queria se envolver com outras pessoas. Ainda assim, outros quatro homens teriam entrado no quarto. “As investigações apontam que não houve qualquer sinal de consentimento. Não tivemos dúvida quanto à tipificação da conduta”, afirmou.
Laudos e provas reforçam investigação
A vítima passou por exame de corpo de delito, que, segundo o delegado, apresentou resultado compatível com o relato prestado à polícia. A polícia também obteve imagens dos investigados entrando e saindo do imóvel. Com todos identificados, houve representação por prisão e por mandados de busca e apreensão. A investigação segue em andamento para apurar a eventual participação de outros envolvidos e confirmar se há novas vítimas.
