Prisão de Vorcaro trava a CPI do Crime no Senado

CPI do Crime Organizado: Fabiano Contarato, presidente; Hamilton Mourão, vice, e Alessandro Vieira, relator Divulgação/ Agência Senado

Nos corredores do Senado foi marcado nesta manhã (4), por uma reviravolta quer paralisou os trabalhos de hoje da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado. O depoimento mais aguardado da semana, do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi cancelado após uma ação coordenada da Polícia Federal (PF) que resultou em sua prisão preventiva, deflagrada nas primeiras horas do dia, em São Paulo. Cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel que também ia depor, foi preso hoje, em Brasília.

A terceira fase da Operação Compliance Zero não apenas retirou o principal depoente da mesa, mas também forçou o presidente da comissão, senador Fabiano Contarato (PT), a suspender as sessões previstas para o dia. 

Contarato reforçou a gravidade do cancelamento em comunicado oficial à imprensa: “A decisão judicial que torna o comparecimento facultativo ou, como hoje, a prisão de um convocado em outra instância, inverte o papel da fiscalização parlamentar. A CPI seguirá firme, mas precisamos de acesso integral aos dados da PF para entender se há material filtrado que ainda não chegou ao nosso conhecimento”.

Segundo nota oficial da PF, a operação apura esquema bilionário de fraudes financeiras e lavagem de dinheiro que teria movimentado ativos de facções criminosas através de sistema bancário lícito. 

“Vazio” nas cadeiras da CPI

A prisão de Vorcaro ocorre num momento de tensão para o colegiado. Além do banqueiro e do cunhado presos, outros nomes-chave para a investigação, como do ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e o fundador do Reag Investimentos, João Carlos Mansur, obtiveram decisões favoráveis no Supremo Tribunal Federal (STF) para não comparecerem ou permanecerem em silêncio. 

O relator da CPI, senador Alexandre Vieira (MDB), não escondeu a frustração com o desdobramento. Em entrevista coletiva na saída da sala de comissões, Vieira afirmou que o colegiado está sendo “asfixiado” por decisões judiciais e fatos externos. 

“Devemos apresentar recurso contra as dispensas de depoimentos, mas ainda não definimos a forma. O que vemos hoje é um impedimento prático para que a sociedade entenda como o crime organizado infiltrou-se em instituições financeiras de grande porte”, declarou o relator.

CPI no limbo?

Com o esvaziamento da pauta do dia, a CPI vai “reorganizar o cronograma”. A expectativa é que, na próxima semana, os parlamentares foquem na análise de documentos obtidos através da quebra de sigilo bancário da Maridt Participações, empresa ligada a familiares de magistrados e que teria recebido repasses milionários de fundos operados por Vorcaro.

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