Ibovespa sobe em linha com exterior; guerra no Oriente Médio segue no radar

Ibovespa a 150 mil pontos? Veja os vetores que podem explicar essa alta

O Ibovespa fechou em alta nesta quarta-feira (4), acompanhando o movimento positivo das bolsas internacionais e recuperando parte das perdas registradas na sessão anterior. O principal índice da B3 avançou ao longo do pregão sustentado principalmente por grandes bancos e papéis ligados a commodities.

Durante o dia, o índice chegou a se aproximar da região dos 186 mil pontos, refletindo uma melhora momentânea no apetite por risco após o forte movimento de aversão observado no início da semana.

Segundo Leonardo Santana, especialista em investimentos e sócio da casa de análise Top Gain, o principal vetor que move os mercados globais neste momento é o conflito geopolítico no Oriente Médio.

O que está movendo as bolsas americanas neste momento é, sem qualquer dúvida, o contexto de guerra. Não há outro fator com força suficiente para disputar esse protagonismo”, afirma Santana.

Correção após forte aversão ao risco

O movimento de alta desta quarta ocorre após dois pregões marcados por forte tensão nos mercados globais. Na segunda-feira, as bolsas internacionais registraram quedas expressivas, enquanto na terça-feira o mercado brasileiro também sofreu forte correção.

Segunda e terça-feira foram dias emblemáticos. Lá fora, as quedas foram ainda mais intensas na segunda. E por aqui, o Ibovespa chegou a recuar quase 4% na terça-feira, refletindo o aumento abrupto da aversão ao risco”, explica Santana.

Na avaliação do especialista, a recuperação desta sessão representa mais uma pausa técnica do que uma mudança estrutural no cenário.

Hoje vemos uma correção tanto no mercado brasileiro quanto nos internacionais. Não porque o cenário tenha melhorado, mas porque simplesmente não houve novidade relevante sobre a guerra”, diz.

Escolta de petroleiros traz alívio momentâneo

Entre os fatores que ajudaram a reduzir a tensão no mercado está a decisão dos Estados Unidos de proteger navios petroleiros na região do Golfo.

Os Estados Unidos decidiram proteger navios petroleiros, especialmente no Estreito de Ormuz, para evitar interrupções na circulação e nas transações globais de petróleo. Essa sinalização trouxe algum alívio momentâneo”, afirma Santana.

Mesmo assim, a volatilidade continua elevada, já que qualquer escalada no conflito pode afetar diretamente os fluxos de energia e o comércio global.

Petroleiras recuam após forte alta

No mercado doméstico, as ações de petroleiras registraram queda ao longo do pregão após os ganhos expressivos recentes impulsionados pelo avanço do petróleo.

A queda de hoje de papéis como Petrobras e Brava Energia acontece como um movimento de correção após fortes altas e também como reação ao alívio gerado pela decisão dos EUA de escoltar petroleiros no Estreito de Ormuz”, afirma Santana.

Além disso, o cenário político doméstico também passa a influenciar a leitura dos investidores sobre a estatal.

Estamos em ano eleitoral e o mercado teme que, diante de uma disparada do petróleo, a Petrobras opte por absorver parte dessa alta para evitar repasses internos de preços. O receio é de que a companhia sacrifique margem para evitar reajustes em um período politicamente sensível”, diz o especialista.

Dólar e juros passam por realização

No mercado de câmbio, o dólar registrou queda frente ao real, devolvendo parte da forte valorização observada na sessão anterior.

O dólar chegou a subir cerca de 3% ontem, algo que não víamos há bastante tempo. Hoje a moeda já abriu mais fraca no exterior”, afirma Santana.

Segundo ele, o movimento atual representa uma realização após a busca intensa por proteção observada nos últimos dias.

O pessimismo não acabou. O que temos é uma pausa técnica depois de uma busca intensa por proteção. O mercado agora aguarda novos desdobramentos para decidir se retoma o movimento defensivo”, diz.

Juros seguem no radar no Brasil e nos EUA

Apesar das tensões geopolíticas, o cenário de política monetária ainda permanece no radar dos investidores.

No Brasil, Santana avalia que o início do ciclo de cortes de juros segue esperado para este mês, embora com ritmo mais cauteloso.

O ciclo de cortes deve começar, mas com magnitude menor do que se imaginava. Antes falava-se em reduções entre 0,75 e 0,50 ponto, mas neste momento o mais provável é um corte de 0,50 ponto”, afirma.

Segundo ele, a reunião do Copom de 18 de março não deve ser comprometida, mas o tom das decisões seguintes pode se tornar mais prudente diante das incertezas globais.

Nos Estados Unidos, a expectativa predominante continua sendo de dois cortes de juros em 2026, embora o calendário tenha mudado.

Inicialmente o primeiro corte era previsto para julho, mas agora a aposta mais forte fica para 16 de setembro. Essa precificação pode ser antecipada novamente caso o conflito termine antes do esperado”, afirma Santana.

Raízen recua e ouro sobe com aversão ao risco

No noticiário corporativo, investidores também repercutiram a queda das ações da Raízen, após Cosan e Shell não chegarem a um acordo sobre uma possível capitalização da companhia.

Enquanto isso, o ouro voltou a subir no mercado internacional, reforçando o movimento de busca por ativos considerados mais seguros em meio ao ambiente de incerteza global.

“Se houver intensificação ou prolongamento do atual cenário de guerra, sem dúvidas o impacto sobre mercados e sobre as expectativas de juros pode ser ainda mais relevante”, conclui Santana.

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