Qual é o tamanho do arsenal militar dos EUA contra o Irã?

Bandeira dos Estados Unidos Reprodução/ Pixabay

No último sábado de fevereiro (28), Estados Unidos e Israel realizaram uma ofensiva de grande escala contra o Irã, sob a justificativa de que o país representaria riscos relacionados ao desenvolvimento de armas nucleares. Em declaração oficial, o presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que a ação teve como objetivo “defender o povo americano, eliminando ameaças iminentes do regime iraniano”.

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A operação intitulada como “Epic Fury” (Fúria Épica), ocorreu em meio a negociações entre Washington e Teerã sobre o programa nuclear iraniano. Os ataques resultaram na morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei.

A escalada do confronto colocou em ação parte do armamento mais avançado desenvolvido pelo governo dos Estados Unidos nas últimas décadas.

O Comando Central dos EUA (CENTCOM) divulgou no domingo (1º) um balanço dos principais equipamentos militares utilizados nas operações. Confira alguns dos sistemas empregados:

Bombardeiros furtivos B-2

Bombardeiro B-2Reprodução/ Wikimedia Commons

Com design inspirado em um falcão peregrino e custo superior a US$ 1 bilhão por unidade (mais de R$ 5,1 bilhões), os bombardeiros B-2 são considerados uma das plataformas mais poderosas da Força Aérea norte-americana.

Equipados com quatro motores a jato, podem transportar armamentos convencionais ou nucleares, possuem alcance intercontinental e contam com capacidade de reabastecimento em voo. As aeronaves são pilotadas por duas pessoas e costumam partir da base aérea de Whiteman, no Missouri.

Em uma missão realizada no ano passado, os bombardeiros atingiram complexos nucleares iranianos em uma operação de ida e volta que durou 34 horas. Na ocasião, sete das 19 aeronaves da frota participaram do ataque, enquanto outras foram deslocadas ao Havaí em uma manobra de despiste.

Na operação anterior foi utilizada a maior bomba convencional dos EUA, um penetrador de 13,6 toneladas, contra três instalações nucleares iranianas. Desta vez, segundo o CENTCOM, foram empregadas bombas de 900 kg contra estruturas de mísseis balísticos.

Drones LUCAS 

O arsenal das forças norte-americanas também faz uso de drones LUCAS (Sistema de Ataque de Combate Não Tripulado de Baixo Custo). O sistema foi operado pela Task Force Scorpion Strike, unidade ativada no Oriente Médio no final do ano passado.

O LUCAS foi inspirado nos drones iranianos Shahed-136, muito utilizados pela Rússia na guerra da Ucrânia. De acordo com o CENTCOM, esses drones possuem grande alcance operacional e são projetados para atuar de forma autônoma.

Além disso, podem ser lançados por diferentes mecanismos, como catapultas, decolagem assistida por foguete e plataformas móveis instaladas em veículos ou em bases terrestres.

Navios de guerra

USS Gerald Ford é o porta-aviões enviado em auxílio a IsraelDivulgação

Porta-aviões e destróieres lançadores de mísseis também participaram das ações. O USS Abraham Lincoln e o USS Gerald R. Ford já estavam posicionados na região antes do início da ofensiva, o primeiro no Mar Arábico e o segundo no Mediterrâneo, próximo a Israel.

De acordo com a CNN, registros em vídeos divulgados pelo CENTCOM mostram caças F/A-18 e F-35 operando a partir do Lincoln. O Ford, por sua vez, não opera o modelo F-35.

O Irã chegou a afirmar que havia atingido o porta-aviões Lincoln com mísseis balísticos, alegação negada pelo comando militar dos Estados Unidos.

Imagens também registraram destróieres disparando mísseis Tomahawk. Embarcações da classe Arleigh Burke, várias delas presentes na região, podem transportar até 96 desses mísseis e contam ainda com o sistema de defesa antimísseis Aegis, utilizado para proteger navios e alvos em terra.

Sistemas Patriot e THAAD

Além dos equipamentos de ataque, estão sendo utilizados os sistemas de defesa Patriot e THAAD (Defesa de Área de Alta Altitude Terminal) para interceptar drones e mísseis balísticos iranianos.

O número de interceptores disparados não foi divulgado. Analistas alertam, porém, que o prolongamento de ataques retaliatórios poderia pressionar os estoques desses sistemas, já que o Irã possui grande quantidade de drones e mísseis.

Caças

Caça F-16Reprodução/ Wikimedia Commons

Diversos modelos de aeronaves de combate participaram das ações iniciais. Entre eles estão os F-16 da Força Aérea e os F/A-18 operados pela Marinha e pelo Corpo de Fuzileiros Navais.

Também foram mobilizados os caças furtivos F-22 e F-35, utilizados pelas três forças militares dos Estados Unidos. Vídeos mostram operações de F/A-18 e F-35 partindo de porta-aviões.

Aeronaves de ataque A-10 também foram deslocadas para a região.

Aeronaves de guerra eletrônica EA-18G

EA-18G Reprodução/ Wikimedia Commons

Inspirado no caça F/A-18, o EA-18G Growler é equipado com sistemas de interferência eletrônica, contramedidas de comunicação e radares capazes de detectar e neutralizar ameaças eletrônicas inimigas.

Essas aeronaves também podem carregar mísseis projetados para rastrear emissões eletrônicas, como radares e centros de comunicação.

Aeronaves de alerta antecipado (AWACS)

E-2C HawkeyeReprodução/ Wikimedia Commons

Os Estados Unidos utilizam dois tipos de aeronaves AWACS: o E-3 Sentry, operado pela Força Aérea, e o E-2 Hawkeye, utilizado pela Marinha.

O E-3, baseado no Boeing 707, possui um grande radar rotativo montado acima da fuselagem e alcance aproximado de 400 km. Ele é capaz de identificar aeronaves e embarcações inimigas, além de monitorar o campo de batalha em tempo real.

As informações coletadas são compartilhadas com centros de comando e unidades militares no mar.

Já o Hawkeye é um turboélice bimotor que desempenha função semelhante, operando a partir de porta-aviões.

Aeronaves de comunicação aérea

E-11A BACNReprodução/ Wikimedia Commons

Segundo a CNN, aeronaves E-11A BACN (Nó de Comunicações Aerotransportado do Campo de Batalha) foram observadas na região nas semanas anteriores aos ataques contra o Irã.

Conhecidas como “Wi-Fi no céu”, essas plataformas atuam como retransmissores de comunicação, conectando unidades aéreas e terrestres mesmo em ambientes com obstáculos geográficos ou grandes distâncias.

Patrulha marítima P-8A Poseidon

Baseadas no Boeing 737, essas aeronaves da Marinha são utilizadas em operações de guerra antissubmarino, além de missões de inteligência, vigilância e reconhecimento.

Aeronaves de reconhecimento RC-135

RC-135Reprodução/ Wikimedia Commons

Com tripulação superior a 30 pessoas, incluindo especialistas em inteligência e guerra eletrônica, o RC-135 coleta e analisa informações quase em tempo real.

A aeronave, também baseada no Boeing 707, participa de operações militares norte-americanas desde a Guerra do Vietnã.

Drones MQ-9 Reaper

MQ-9 ReaperReprodução/ Wikimedia Commons

Operados remotamente, os MQ-9 Reaper são utilizados principalmente para atacar alvos estratégicos ou sensíveis ao tempo.

Equipados com mísseis Hellfire e bombas guiadas, podem permanecer por longos períodos sobre a área de combate realizando vigilância e coleta de inteligência.

Sistemas HIMARS

Os lançadores móveis HIMARS são montados em caminhões de três eixos e têm capacidade de disparar foguetes e se deslocar rapidamente antes de possíveis contra-ataques. Dependendo da configuração da missão, os foguetes podem atingir alvos a mais de 480 km de distância.

Reabastecimento em voo e no mar

Aeronave-tanque KC-46 Reprodução/ Wikimedia Commons

A Força Aérea utiliza as aeronaves-tanque KC-135 e KC-46 para reabastecer aviões em pleno voo, permitindo missões de longa duração, como as realizadas pelos bombardeiros B-2.

Os navios de guerra também recebem combustível no mar por meio de embarcações de apoio operadas principalmente por tripulações civis. O processo ocorre com os navios em movimento, conectados por mangueiras no oceano.

Aeronaves de transporte

C-17 GlobemasterReprodução/ Wikimedia Commons

Aeronaves dos modelos C-17 Globemaster e C-130 Hercules foram utilizados para transportar tropas, equipamentos e armamentos para o Oriente Médio durante a preparação das operações contra o Irã.

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