Criminosos invadem conta gov.br de juíza federal e retiram restrição judicial de veículo para vendê-lo no RS

A Polícia Civil faz uma operação, nesta quinta-feira (2), contra um suposto esquema de fraude envolvendo a liberação ilegal de um veículo apreendido pela Justiça do Rio Grande do Sul usando dados de uma juíza federal. Até a publicação desta reportagem, cinco pessoas foram presas.
A investigação indica que criminosos invadiram a conta gov.br da magistrada para acessar o sistema do Registro Nacional de Veículos Judicial (Renajud), retirar a restrição judicial do automóvel para, então, vendê-lo.
O caso foi descoberto quando a polícia identificou que o carro, que estava retido por decisão da Justiça dentro de um processo criminal, teria sido liberado de forma irregular. Ao longo da investigação, surgiu a suspeita de que isso ocorreu a partir do acesso não autorizado ao sistema do Renajud com dados da juíza – apesar de não haver ordem judicial para isso.
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O principal beneficiado pela fraude teria sido um comerciante de automóveis que, segundo a investigação, comprou o veículo mesmo sabendo da restrição judicial (saiba mais abaixo). Já o principal suspeito pela invasão foi identificado como um homem com histórico de crimes cibernéticos e patrimoniais em outros estados. Ele foi preso em Santa Catarina.
A Polícia Civil confirmou que os acessos ao sistema Renajud teriam sido feitos com a senha da magistrada e que a exclusão da restrição teria sido feita no mesmo dia em que o carro começou a ser negociado.
Os suspeitos investigados devem responder por fraude processual, estelionato, organização criminosa e invasão de dispositivo informático.
Comerciante, advogado e revenda de veículos
O principal beneficiado pela fraude teria sido um comerciante de automóveis que, segundo a investigação, comprou o veículo mesmo sabendo da restrição judicial. De acordo com a polícia, o homem afirmou ter pago R$ 13 mil a um advogado criminalista para que o desbloqueio fosse realizado. Ele ainda teria fornecido a senha gov.br da esposa a um vendedor de uma loja de carros em Dois Irmãos para facilitar a transferência do bem após a remoção da restrição.
A delegada Luciane Bertoletti, responsável pela investigação, destacou a sofisticação do esquema.
“É um exemplo claro de como a criminalidade se moderniza e tenta explorar brechas tecnológicas para obter lucro ilícito”, afirmou.
A Polícia Civil aponta que a antiga proprietária do carro confirmou que vendeu o veículo com a restrição ativa e disse ter ficado surpresa ao saber que o bloqueio havia sido retirado. Ela teria dito que o comprador chegou a pedir ajuda financeira para cobrir os custos da fraude.
Após o desbloqueio, o carro teria sido repassado à revenda, onde sócios e vendedores negociaram o veículo.
Já sem restrições, o automóvel foi anunciado ao público e vendido a um morador de Caxias do Sul por R$ 77.900. Ele teria pagado entrada e financiado o restante, acreditando que a compra era legal.
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