A combinação de mísseis com Carnaval

Panelistas dos noticiários israelenses se fantasiaram em homenagem a PurimMiriam Sanger

Este ano, o israelense passou a celebração judaica de Purim — que lembra em muito a alegria do Carnaval brasileiro — de uma forma bem diferente.

Em lugar de festas ruidosas e altamente alcoólicas até o amanhecer, ou de desfiles coloridos e lotados que fecham as ruas de Tel Aviv, o programa principal foi correr pro bunker ou pra áreas protegidas várias vezes durante o dia e à noite para escapar do perigo representado pelos mísseis balísticos iranianos que chovem dos céus.

Os israelenses não desistem tão fácil. Venceram rapidamente a frustração da guerra  encontrando alternativas criativas. Em Tel Aviv, cidade festeira por excelência, as festas aconteceram nos estacionamentos subterrâneos de prédios comerciais e shopping centers — entre eles, alguns que já estão sendo usados há tempos sendo usados como abrigo antiaéreo pela população.  

Pois, acredite se quiser, 35% dos israelenses não dispõem de quartos de segurança dentro do apartamento ou abrigo antibomba no subsolo do prédio. No caso de bombardeio, precisam encontrar abrigos públicos fora de casa.

Mísseis contra Tel Aviv

Alguns instalam-se nestes estacionamentos (ou em estações de trem) apenas à noite. Recentemente, a prefeitura disponibilizou a eles até mesmo colchões. Outros, em especial famílias com crianças pequenas, chegam com mala e cuia, abrigando-se nesses locais por períodos mais longos. Afinal, o regime islâmico tem uma preferência clara por bombardeios contra cidades de alta concentração populacional.

Prédio destruído por míssil iraniano em Tel AvivReprodução

Tel Aviv foi, infelizmente, atingida pelos mísseis iranianos várias vezes nessa guerra e também na anterior, em junho de 2025. O resultado é sempre devastador e mortífero.

O universo paralelo no bunker

Desde o dia 1 de março, data do ínicio da guerra, Israel tomou medidas duras de segurança. Aeroportos foram fechados; locais de trabalho, shopping centers, escolas e universidades também. Aglomerações foram proibidas. A regra é frequentar apenas locais que contem com áreas protegidas na proximidade — assim, praias e grandes parques também ficaram abandonados.

Centenas de casamentos e outras celebrações foram canceladas. O casal Michael e Lior, no entanto, decidiu manter a data e transferir o local: a união foi celebrada no subsolo do tradicional shopping center Dizzengoff, no coração de Tel Aviv. Não foi a celebração mais confortável da história, mas foi certamente a mais sincera prova de amor no mais original dos cenários.

Em plena guerra, casal celebrou casamento em estacionamento subterrrâneoReprodução

 Outras festas “subterrâneas” de Purim foram animadas por DJs profissionais ou até mesmo bandas ao vivo. E assim o israelense não perdeu a oportunidade de celebrar a vida, mesmo que seja sob o som de sirenes.

Purim: uma festa clássica

Purim há de ser a festa mais amada pelos adultos e mais esperada pelas crianças. As escolas promovem festas ao longo de toda a semana e a regra é chegar fantasiado — uma fantasia por dia, durante cinco dias. Um esforço encarado com prazer por adultos e crianças.

Muitas vezes, também os adultos se fantasiam no local de trabalho: até mesmo os apresentadores de TV. O resultado é cômico, especialmente quando a composição da fantasia é levada a sério, como aconteceu com o painel de apresentadores do canal 14 de Israel.

A explicação para a fantasia em Purim importa menos aqui do que a sincronia dessa festividade, que celebra um episódio narrado no livro bíblico de Ester. Ele conta como os judeus que viviam no Império Persa — região que corresponde em grande parte ao atual Irã — foram salvos de um plano de extermínio tramado por Haman, alto funcionário do rei. A história recorda como a rainha Ester e seu tio Mordechai conseguiram reverter o decreto e salvar o povo da aniquilação. A festa é celebrada com a leitura pública desse texto, doações aos pobres e uma grande refeição festiva.

No relato bíblico, Haman e seus filhos são presos e enforcados. Um destino ainda menos brilhante teve o aiatolá Ali Khamenei, morto no primeiro dia dos ataques israelenses. Quem sabe, em anos futuros, uma festa será criada para celebrar também este evento.

 

 

 

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